COTIDIANO
Caso Washington Rodrigo: o que se sabe sobre a morte em hotel de João Pessoa
Investigação detalhou o encontro entre vítima e suspeito e o que aconteceu após o crime.
Publicado em 01/08/2026 às 7:23

Um homem de 33 anos, identificado como Washington Rodrigo, foi encontrado morto em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa. Após o crime, o adolescente suspeito se apresentou à Polícia Civil, confessou o homicídio e teve a apreensão provisória mantida pela Justiça.
Desde então, novas informações divulgadas pela investigação esclareceram como aconteceu o encontro entre os dois, a versão apresentada pelo adolescente e o andamento do caso.
Para facilitar a compreensão do caso, o Jornal da Paraíba reuniu tudo o que já foi confirmado pela Polícia Civil.
Como vítima e suspeito tiveram o primeiro contato?
Segundo a Polícia Civil, o adolescente chegou a João Pessoa na quinta-feira (23) e, no mesmo dia, acessou um site de relacionamento. Foi nessa plataforma que encontrou o perfil de Washington Rodrigo e iniciou uma conversa utilizando o contato disponibilizado no anúncio.
Ainda de acordo com a investigação, a conversa continuou por um aplicativo de mensagens e o encontro foi marcado para a madrugada da sexta-feira (24).
A defesa do adolescente afirmou que ele escolheu o perfil de forma aleatória e utilizou um documento falso para conseguir entrar no hotel.
Qual foi a motivação apresentada pelo suspeito?
Em depoimento, o adolescente afirmou que acreditou ter sido fotografado durante um momento íntimo com a vítima e disse ter temido que sua orientação sexual fosse exposta.
Segundo o delegado Diego Garcia, o adolescente relatou que utilizou uma pistola de airsoft para obrigar Washington Rodrigo a entregar o celular e verificar se havia registros do encontro.
"Alegou que se sentiu intimidado e ameaçado pela vítima que supostamente teria fotografado alguma parte do momento íntimo dos dois, ao passo que fez ele se algemar, simulando um fetiche, e, mediante o uso de uma airsoft, o constrangeu para entregar seu celular para que ele verificasse se havia mensagem ou fotografias em detrimento de sua pessoa, já que ele se acha um teólogo e por isso não poderia ter a imagem corrompida", afirmou o delegado.
A defesa informou que o adolescente confessou o homicídio e sustentou que ele agiu por medo de ter a orientação sexual revelada.
Como a vítima foi assassinada?

Conforme o depoimento do adolescente à Polícia Civil, ele utilizou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangular Washington Rodrigo.
Segundo a versão apresentada pelo suspeito, a intenção seria apenas deixar a vítima desacordada para sair do local.
O Instituto de Medicina Legal (IML), porém, concluiu que a causa da morte foi asfixia. O diretor do órgão, Flávio Fabres, informou ainda que o corpo apresentava sinais de tortura.
O que aconteceu após o crime?
A investigação aponta que o adolescente tentou sair do hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu.
Segundo o delegado Cristiano Santana, ele deixou o local sozinho e manteve comportamento considerado comum após o crime.
"Ele tenta sair com o carro da vítima, mas não consegue e evade sozinho, em comportamento normal, inclusive fazendo postagens como se nada tivesse acontecido", disse.
O corpo de Washington Rodrigo foi encontrado posteriormente por uma funcionária do hotel, segundo informou a defesa.
Quais provas foram reunidas pela Polícia Civil?
Durante a investigação, a Polícia Civil apreendeu uma pistola de airsoft e um par de algemas.
Para o delegado Diego Garcia, esses objetos ajudaram a esclarecer a dinâmica do homicídio.
"Existe um airsoft que foi apreendido. De fato existiram objetos que foram de grande valia para identificação, com elementos robustos que identificavam a participação do menor".
A polícia informou ainda que não havia drogas no quarto onde o crime ocorreu.
Como o adolescente foi localizado?
O adolescente se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na segunda-feira (27), em Caicó, no Rio Grande do Norte, acompanhado do advogado.
No dia seguinte, foi ouvido e transferido para João Pessoa, onde passou a ficar à disposição da Delegacia da Infância e da Juventude.
Segundo a Polícia Civil, ele possui pelo menos 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte, relacionados a atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição, ameaça, violência doméstica e lesão corporal em contexto de violência doméstica, entre outros.
Além disso, ele já foi internado em uma unidade destinada a menores infratores.
Como a idade do suspeito foi confirmada?
A idade do adolescente foi confirmada por um exame de papiloscopia, realizado a partir da comparação das impressões digitais com o banco de dados do Rio Grande do Norte.
Antes disso, ele havia sido submetido a um exame de arcada dentária, que teve resultado inconclusivo.
Segundo a Polícia Civil, o resultado da papiloscopia confirmou que o investigado tem 17 anos e não alterou a forma como ele vinha sendo custodiado.
"Não tem nenhuma modificação maior em relação à conduta da polícia, porque ele já está sendo custodiado como se menor fosse e, na dúvida, a gente vai dar esse tratamento de menor para ele", disse Fabres.
Qual é a situação do adolescente atualmente?
Após a confirmação da idade, o adolescente foi encaminhado para a ala destinada a menores na carceragem da Polícia Civil, em João Pessoa.
Na quarta-feira (29), a Justiça manteve a apreensão provisória do suspeito. Segundo a defesa, a medida tem prazo de até 45 dias. Caso não haja sentença nesse período, ele deverá ser colocado em liberdade.
A Polícia Civil informou que tem até dez dias para concluir o inquérito e encaminhar o caso ao Poder Judiciário.
Depois disso, o Ministério Público analisará o procedimento para decidir se apresenta representação à Justiça. Em seguida, deverão ocorrer as audiências previstas no processo.
Se houver aplicação de medida de internação, o adolescente passará por reavaliações periódicas, conforme prevê a legislação.

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