COTIDIANO
Corpos de trabalhadores baianos mortos em João Pessoa são liberados e seguem para a Bahia
Famílias fizeram reconhecimento dos corpos neste sábado (4), em João Pessoa.
Publicado em 04/04/2026 às 18:29

Os corpos dos quatro trabalhadores baianos encontrados mortos em João Pessoa foram liberados neste sábado (4) pelo Instituto Médico Legal (IML) e devem ser sepultados na Bahia. O grupo estava desaparecido desde a terça-feira (31) e foi localizado em uma área de mata no bairro de Brisamar, na sexta-feira (3), com indícios de execução.
As vítimas foram identificadas como: Cleibson Jaques, de 31 anos, e Lucas Bispo, naturais de Campo Formoso; além de Sidclei Silva, de 21 anos, e Gismario Santos, de 23 anos, de Morro do Chapéu.
Familiares chegaram à capital paraibana na manhã deste sábado (4) para realizar o reconhecimento e liberação dos corpos no Instituto Médico Legal (IML). Durante a espera, parentes relataram os últimos contatos com as vítimas e detalhes da viagem ao estado.
De acordo com o Instituto de Polícia Científica (IPC), todos os quatro corpos serão velados e sepultados na Bahia.
Mãe e esposa relatam últimos momentos de vítima

De acordo com familiares, a ida dos trabalhadores à Paraíba ocorreu de forma rápida. A esposa de Gismário Santos informou que o marido demonstrava preocupação por não conhecer o destino.
Segundo ela, Gismario só soube da viagem na véspera e não tinha informações detalhadas sobre o local de trabalho. Ainda assim, decidiu seguir com a equipe, com quem atuava desde o ano passado.
O último contato com a família aconteceu na noite da terça-feira (31), pouco antes do desaparecimento. Após isso, as mensagens deixaram de ser respondidas e as ligações passaram a não completar.
Os corpos das quatro vítimas já foram liberados do Instituto Médico Legal (IML) em João Pessoa, e o corpo de Gismário será velado e sepultado na Bahia, assim como o de Sidclei. Ainda não há informações sobre o translado dos corpos de Cleibson Jaques e Lucas Bispo.
Entenda o crime

Quatro corpos foram encontrados em uma área de mata no bairro de Brisamar, em João Pessoa, na madrugada de sexta-feira (3).
A perícia inicial indica que as vítimas foram mortas há cerca de dois dias, por disparos de arma de fogo. Três delas estavam com as mãos amarradas para trás. Ainda de acordo com a polícia, o carro teria sido roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa.
Devido ao avançado estado de decomposição, não foi possível identificar visualmente as vítimas nem a quantidade de perfurações. Exames cadavéricos foram necessários para confirmar as identidades.
Ainda segundo a delegada, duas vítimas estavam com documentos, mas não há confirmação se pertencem, de fato, a elas. Segundo a Polícia Civil, o caso segue sob investigação.
Veículo abandonado e suspeitos em fuga
Segundo a Polícia Civil, moradores da região denunciaram um carro abandonado. O veículo, localizado por uma guarnição da Polícia Militar, apresentava sinais de sujeira e forte odor. A partir disso, equipes iniciaram buscas nas proximidades e encontraram os corpos em uma área de mata dentro de uma granja do bairro.
Ainda de acordo com a polícia, o carro teria sido roubado no município de Santa Rita, na Grande João Pessoa.
Uma câmera de segurança registrou o momento em que quatro suspeitos fugiram em apenas uma moto, depois de terem abandonado os quatro corpos no bairro do Brisamar.
Moradores da Rua Juvenal Coelho, na madrugada desta sexta-feira (3), ouviram o barulho de uma buzina muito forte e gritos.
Desaparecimento das vítimas

A Polícia Civil da Paraíba já investigava o desaparecimento dos quatro trabalhadores da construção civil, naturais da Bahia, que estavam hospedados em uma casa de apoio em Bayeux, na Grande João Pessoa. O caso foi registrado no início da manhã de quinta-feira (2), mas os trabalhadores estavam desaparecidos desde a terça-feira (31).
Os desaparecidos são de cidades da Bahia, e foram identificados: Cleibson Jaques, 31 anos e Lucas Bispo (que não teve a idade revelada) são de Campo Formoso. Sidclei Silva, 21, e Gismário Santos, 23, são de Morro do Chapéu. As cidades ficam localizadas próximas à Chapada Diamantina, no Norte da Bahia.
De acordo com as primeiras informações, os homens estavam há cerca de dois meses trabalhando em uma obra e residiam no imóvel destinado a trabalhadores da construção civil. Na madrugada da quarta-feira (1º), o veículo responsável por transportá-los até o local de trabalho chegou ao endereço, mas nenhum deles foi encontrado.
Ao entrar na residência, o motorista percebeu que o local estava revirado, com sinais de desordem, o que levantou suspeitas e levou ao acionamento da polícia.
Em entrevista à TV Cabo Branco, a esposa de uma das vítimas relatou que falava com o marido por chamada de vídeo momentos antes do desaparecimento. Segundo ela, a ligação foi interrompida de forma repentina.
De acordo com o relato dela, o trabalhador já se preparava para dormir quando pessoas teriam invadido o quarto, acendendo a luz e provocando um momento de tensão. A mulher afirmou ainda ter ouvido vozes e gritos antes da ligação ser encerrada.
"Ele jogou o celular, ficou tudo escuro, não deu para ver nada, mas eu escutei muitos homens gritando. Ele não mexe com nada, ele não é envolvido, ele não fuma, ele não bebe. Até então, ficava todo minuto na minha mente a cena do rosto dele, em pânico, na hora que acendeu a luz do quarto onde ele estava deitado", conta a esposa.

Comentários