COTIDIANO
Mulher denuncia ter tido parte da cabeça raspada durante exame toxicológico para CNH em Sapé
Laboratório reconheceu erro no procedimento após repercussão do caso nas redes sociais. Mulher afirma que não recebeu assistência do laboratório.
Publicado em 13/07/2026 às 19:21
Uma mulher denunciou nas redes sociais um suposto problema ocorrido durante a realização de um exame toxicológico obrigatório para emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em um laboratório de análises clínicas de Sapé. O caso aconteceu no sábado (11). A denúncia foi publicada pela própria mulher, que relatou a situação em um vídeo nas redes sociais. Veja vídeo da denúncia acima.
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Desde maio deste ano, candidatos à primeira habilitação também passaram a ser obrigados a apresentar resultado negativo em exame toxicológico, conforme determinação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).
Em um vídeo publicado nas redes sociais, Ana Karolina relatou que teve problemas durante a realização do exame em um laboratório de análises clínicas de Sapé. Segundo ela, o procedimento de coleta do material teria sido feito de forma inadequada, com a retirada de duas grandes mechas de cabelo, uma na parte central da cabeça e outra na lateral. A candidata afirmou que a situação causou dor e afetou sua autoestima.
De acordo com o relato, a coleta deveria ter sido feita apenas uma vez, mas precisou ser repetida após a profissional responsável informar que um dos envelopes usados para armazenar a amostra havia sido rasgado.
“Ela tirou meu cabelo duas vezes, onde era para ter tirado só uma, e em menor quantidade. Ainda queria retirar uma terceira mecha, alegando que não iria valer”, afirmou a mulher no vídeo.
Ana Karolina disse que questionou a necessidade de uma nova retirada de cabelo e sugeriu que fosse feita apenas a substituição do envelope danificado. Segundo ela, após a insistência, a profissional teria informado que a amostra poderia ser encaminhada mesmo com o pequeno rasgo no material utilizado para acondicionamento.
Após chegar em casa, a candidata afirmou ter percebido a dimensão da área retirada durante o procedimento e classificou a coleta como desnecessária. No vídeo publicado nas redes sociais, ela também relatou ter sentido dor durante a realização do exame, que, segundo ela, foi registrado em vídeo.
Ainda conforme o relato de Ana Karolina, ao final do procedimento, a profissional teria orientado que ela mantivesse o cabelo preso para esconder a região afetada pela coleta.

Entenda como funciona o exame toxicológico exigido para a CNH
O exame toxicológico obrigatório para candidatos à primeira habilitação só pode ser realizado em laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) ou em postos de coleta autorizados, vinculados a esses laboratórios. As normas não permitem que o procedimento seja feito em residências, empresas, unidades móveis ou qualquer outro local sem credenciamento.
Para a realização do teste, é retirada, preferencialmente, uma pequena mecha de cabelo, cortada o mais próximo possível da raiz. Caso o candidato não tenha cabelo com comprimento suficiente, a coleta pode ser feita com pelos do corpo e, em situações específicas, com unhas.
O material coletado é dividido em duas amostras: uma é utilizada para a análise laboratorial e a outra permanece armazenada pelo laboratório por até cinco anos. Essa segunda amostra pode ser utilizada como contraprova, caso o candidato queira contestar o resultado do exame.
Todo o processo deve seguir protocolos de segurança definidos pela Senatran, com identificação do candidato e registro da cadeia de custódia da amostra, garantindo que o material coletado seja o mesmo analisado em laboratório.
Após a coleta, o laboratório tem até 15 dias para emitir o laudo e registrar o resultado no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach). O exame possui validade de 90 dias e é capaz de identificar o consumo de substâncias psicoativas ao longo dos cerca de 90 dias anteriores à coleta, quando a amostra utilizada é o cabelo.
Caso o resultado seja positivo, o candidato tem direito de solicitar a contraprova, que consiste na análise da segunda amostra coletada. Além disso, os laboratórios credenciados podem ser fiscalizados pela Senatran e pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), estando sujeitos a sanções caso descumpram as normas técnicas previstas para esse tipo de exame.
Exame passou a ser exigido para novos condutores
No caso da coleta por cabelo, utilizada para emissão da CNH, a amostra deve ser retirada o mais próximo possível da raiz, com comprimento mínimo de três centímetros. O material é acondicionado em envelopes lacrados para análise laboratorial e permite identificar o consumo de substâncias psicoativas ao longo dos últimos 90 dias ou mais.
O Jornal da Paraíba tentou contato com o laboratório para obter um posicionamento sobre as novas declarações da paciente e sobre as medidas adotadas após o ocorrido. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno.

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