COTIDIANO
'Reparação coletiva', diz família Gil após ato inter-religioso do MPF na PB
Evento aconteceu no MPF em João Pessoa nesta sexta (6) e contou com vários representantes religiosos, além de familiares de Preta Gil.
Publicado em 07/02/2026 às 10:54 | Atualizado em 07/02/2026 às 11:08

O ato inter-religioso no Ministério Público Federal (MPF) em João Pessoa, realizado nesta sexta-feira (6), representou o cumprimento de parte do acordo firmado entre o órgão e o padre Danilo César de Sousa Bezerra, denunciado por falas de intolerância religiosa contra Preta Gil. Vários representantes religiosos, além de familiares da artista, como o pai dela, Gilberto Gil, participaram do momento.
O evento foi encerrado com uma música da umbanda e um momento de fraternidade entre todos os representantes das mais variadas religiões presentes. Líderes católicos, protestantes, do candomblé e de outras religiões, além da madrasta de Preta Gil, Flora Gil, do próprio Gilberto Gil e do padre Danilo César, estavam no evento.
Para o MPF, a simbologia do ato marcou um novo momento de paz na Paraíba. Segundo o órgão, foi a primeira vez que um líder católico se desculpou por intolerância religiosa na Paraíba, cumprindo, assim, parte do acordo estabelecido.
Durante o ato, a procuradora do MPF, Janaína Andrade, afirmou que é preciso dissociar a falsa ideia de que as religiões de matriz africana estão associadas ao mal. Gilberto Gil, pai de Preta Gil, agradeceu pelo "ato de reparação". O artista disse esperar mais compreensão e menos tolerância da sociedade.
"Que sigamos daqui pra frente com mais compreensão, menos intolerância e melhor futuro nas nossas relações múltiplas, amplas de todos nós como indivíduos e sociedade", disse Gilberto Gil.
O advogado da família Gil, Vinícius Assumpção, reiterou que a reparação do padre representa uma luta coletiva da sociedade contra o racismo religioso. O padre Danilo César também estava no ato inter-religioso, mas não falou nem concedeu entrevista.
"Uma reparação que vai para muito além da família e do individual e que representa também anseios coletivos de que o racismo religioso não seja praticado de forma impune", disse o advogado.
Dom Dulcenio Fontes de Matos, bispo da Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia onde o padre proferiu as falas sobre Preta Gil, disse em carta que há "interesse institucional da Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso" e que a diocese tem "compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas".

Comentários