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COTIDIANO

Padre acusado de intolerância se recusa a falar em ato com participação de Gilberto Gil; VÍDEO

Danilo César participou do evento após acordo para não responder criminalmente pelas falas.

Publicado em 06/02/2026 às 15:36 | Atualizado em 06/02/2026 às 19:34

O padre Danilo César, denunciado por intolerância religiosa por uma fala sobre Preta Gil durante uma homilia em uma missa na cidade de Areial, no Agreste da Paraíba, participou de um ato nesta sexta-feira (6), na sede do Ministério Público Federal (MPF) no estado e se recusou a falar durante um momento do evento. O cantor Gilberto Gil também esteve presente partiicipou do ato de forma remota. (VEJA O VÍDEO ACIMA).

No vídeo, retirado diretamente da transmissão oficial do MPF do evento, é possível notar quando uma pessoa da orgnaização se aproxima e entrega o microfone ao padre, que em um primeiro momento pega o objeto na mão mas logo na sequência o entrega de volta, fazendo um sinal em negativa com a cabeça.

É possível notar também pelas imagens que o momento em que o microfone foi entregue na mão dele, ele estava na frente do palco junto de um líder religioso convidado para participar do evento.

A participação do padre no ato faz parte de um acordo que ele fechou com o MPF para não responder criminalmente pelas falas sobre religiões e Preta Gil durante a missa. O padre também não quis conceder entrevista para a imprensa após o ato.


				
					Padre acusado de intolerância se recusa a falar em ato com participação de Gilberto Gil; VÍDEO
Padre devolve microfone durante ato no MPF - Foto: MPF. Gustavo Demétrio

Além dos líderes religiosos, estiveram presentes também no ato Gilberto Gil e Flora Gil, madrasta de Preta. A madrasta, inclusive, falou positivamente da realização do evento.

A gente está aqui para ouvir o perdão do padre, o padre ter reconhecido a injustiça, acho que é assim que se segue”, disse Flora Gil, madrasta de Preta, durante a reunião.

Já Gilberto Gil qualificou as falas do padre como uma "agressão", mas ressaltou que a participação dele no ato representa uma "reparação".

"Nosso agradecimento pelo ato de reparação a essa agressão que foi feita a esse ato de injustiça que foi perpetrada contra nós, toda nossa família, nossos amigos, parentes. Minha satisfação pelo fato de que a reparação está sendo feita, de que o reconhecimento da agressão, da injustiça, está sendo feita", disse Gil.

Outro participante do ato religioso, Paulo Vasconcelos Jacobina, subprocurador-geral da República, também falou na audiência, ressaltando a importância da participação da família Gil e o gesto do padre.

"Justiça que de fato muda as coisas para adiante. A nossa expectativa é de fato que esse fato nos ensine, como comunidade, mundo jurídico, que as coisas podem se transformar em coisas melhores, a partir do diálogo, do perdão, da compreensão”, disse o subprocurador-geral.


				
					Padre acusado de intolerância se recusa a falar em ato com participação de Gilberto Gil; VÍDEO
Gilberto Gil, pai de Preta Gil, participa de evento no MPF da Paraíba com padre que foi denunciado por fala intolerante - Foto: Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco.

Apesar do padre não falar, o bispo da Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia onde o padre proferiu as falas sobre Preta Gil, emitiu uma carta aberta para a imprensa e também para o MPF.

Na carta, o bispo Dom Dulcenio Fontes de Matos disse que há "interesse institucional desta Diocese em contribuir e colaborar com o diálogo inter-religioso" e que a diocese tem "compromisso com a promoção do respeito mútuo, do diálogo inter-religioso e da convivência pacífica entre as diversas tradições religiosas".

Gilberto Gil chegou a notificar extrajudicialmente a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia de Areial, e o padre Danilo César, para que ele se retratasse publicamente sobre as falas. Bela Gil, irmã de Preta Gil, também chegou a responder o que o padre disse, à época dos acontecimentos.

Conforme o documento do acordo que o Jornal da Paraíba teve acesso, o padre assinou um termo de confissão sobre a conduta de intolerânica religiosa e que, caso descumpra os termos, essa confissão vai valer como "valor de prova" em uma eventual reabertura da ação penal contra ele.

Além da participação no ato inter-religioso, segundo o documento, o padre vai ter que cumprir diversas medidas, entre elas o cumprimento de 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa, com certificados válidos, fazer resenhas sobre livros que tratam do combate à intolerância religiosa e pagar uma prestação pecuniária (espécie de multa), estabelecida em R$ 4.863,00, para uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes.


				
					Padre acusado de intolerância se recusa a falar em ato com participação de Gilberto Gil; VÍDEO
Padre Danilo César vendo discurso de Gilberto Gil no MPF - Foto: Diogo Pinheiro/TV Cabo Branco.

As falas do padre Danilo César


				
					Padre acusado de intolerância se recusa a falar em ato com participação de Gilberto Gil; VÍDEO
Padre de Areial foi acusado de intolerância religiosa: 'por que orixás não ressucitaram Preta Gil?' - Foto: Redes Sociais. Gustavo Demétrio

O caso ocorreu no dia 27 de julho. Durante a homilia, o padre citou a morte da cantora Preta Gil, nos Estados Unidos, vítima de um câncer colorretal, associando a fé dela em religiões de matriz afro-indígenas a morte e sofrimento.

A missa foi transmitida ao vivo pelo Youtube da paróquia de São José, em Areial. O vídeo foi retirado do ar após a grande repercussão nas redes sociais.

“Eu peço saúde, mas não alcanço saúde, é porque Deus sabe o que faz, ele sabe o que é melhor para você, que a morte é melhor para você. Como é o nome do pai de Preta Gil? Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?", disse.

As declarações com cunho de intolerância religiosa também aconteceram em relação aos fiéis para qual o padre estava presidindo a missa. Ele chegou a se referir a religiões de matriz afro-indígenas como "coisas ocultas" e que desejava "que o diabo levasse" quem procurar essa prática.

“E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse. No dia seguinte quando acordar lá, acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer. Tem gente que não vai aqui (Areial), mas vai em Puxinanã, em Pocinhos, mas eu fico sabendo. Não deixe essa vida não pra você ver o que acontece. A conta que a besta fera cobra é bem baratinha", disse

A fala foi considerada como preconceituosa pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial. O presidente da instituição, Rafael Generiano, fez um boletim de ocorrência contra as falas do padre por intolerância religiosa à época.

Imagem

Jornal da Paraíba

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