COTIDIANO
Polícia vê 'divergências' em depoimentos de amigo de idosa encontrada morta, em Bayeux
De acordo com Douglas García, divergências foram notadas entre o período que o amigo Willis Cosmo disse que saiu de hospital e chegou em mata.
Publicado em 29/04/2026 às 14:22 | Atualizado em 29/04/2026 às 14:53

Após o corpo de Milce Daniel Pessoa, de 72 anos, ser encontrado em uma área de mata, em Bayeux, na Grande João Pessoa, nesta quarta-feira (29), e o amigo que a viu ela pela última vez, Willis Cosmo, ser conduzido para a delegacia prestar esclarecimentos, a Polícia Civil apontou divergências em depoimentos anteriores dele.
A informação foi dada pelo delegado do caso, Douglas García, em entrevista para a TV Cabo Branco. Segundo o investigador, as divergências estão relacionadas aos horários apontados pelo homem no que diz respeito a saída deles de um hospital, na última quarta-feira (22), e a ida para uma região de mata colher mangas.
"Diversas pessoas foram ouvidas, familiares, deram detalhes de horários, sabemos que do Hospital Metropolitano para cá não passa de 15 minutos. E se uma pessoa sair de lá por volta de 10h30,11h, não chegaria aqui 13h. Isso é uma pergunta que precisa ser respondida. O senhor Willis trouxe algumas respostas em relação a isso, inclusive vai ser confrontada com outras pessoas que foram ouvidas, com câmeras de segurança", disse.
O delegado disse também que, na terça-feira (28), o trajeto foi refeito com o amigo da idosa, da saída do hospital até a área de mata. O percurso foi cronometrado pelas autoridades e foi dito que "não seria possível, em hipótese nenhuma, chegar no horário dito pelo homem".
"Em todas as vezes que o trajeto foi feito, não seria possível, em hipótese nehuma chegar ali por volta das 13h e, como ele narrou, que ele não parou em nenhum local, veio diretamente para cá, isso causou muito estranhamento", ressaltou.
Apesar das inconsistências nos depoimentos antes da condução do homem para a delegacia e o corpo ser encontrado, a Polícia Civil não trata ele como suspeito e afirma que ele vem recorrentemente sendo ouvido por ter sido o último a ver a idosa antes do desaparecimento.
Milce Daniel Pessoa estava desparecida desde a manhã da quarta-feira (22), após acompanhar Willis em uma consulta médica. O genro da idosa fez o reconhecimento do corpo e informou à TV Cabo Branco que, apesar do estado avançado de decomposição, características do cadáver batem com a mulher desaparecida, como a roupa, cor das unhas e maçãs do rosto.
O delegado Douglas Garcia responsável pelo caso informou que o corpo ainda vai passar por exames para a confirmação. "Existem procedimentos primários e secundários para identificação do cadáver. Até o momento foi identificada a cor das unhas, confirmada pelo genro, o vestido verde, uma pulseira que ela usa".
Buscas foram realizadas em uma região de mata e contaram também com apoio do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e também de cães farejadores.
Perícia feita na casa e no carro do amigo da idosa

Na segunda-feira (27), durante uma perícia, foram encontrados dentro do carro do homem, fios de cabelo e também o que aparenta ser um pedaço de tecido na mesma cor do vestido que a idosa usava quando desapareceu, durante as perícias realizadas pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB). Esse material foi recolhido para análise. Ainda não se sabe de quem era esse material.
"A perícia aqui faz um levantamento de microvestígios, ela examina qualquer objeto dentro do veículo que pode estar sendo ao fato relacionado e investigado, procura manchas semelhantes a sangue, pelos, que podem ser examinados como relacionados ao pelo humano, ou outros vestígios do tipo", explicou Elaine Soares, perita do IPC
Sobre os fios de cabelo encontrados, a perita explicou que o material vai para análise laboratorial e "serem relacionados ou não" com o caso. A casa do homem também foi periciada.
O delegado Douglas García, responsável pela apuração do desaparecimento, não informou detalhes sobre os motivos pelos quais tanto a casa do homem quanto o carro passam por perícia ou se o homem é considerado suspeito no caso.

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