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COTIDIANO

Policial preso por tráfico de drogas antecipou operações para grupo criminoso na PB; OUÇA ÁUDIOS

Gravações mostram Everton Aires, agente da Polícia Civil, avisando de operações e também dizendo que "vai dar um jeito de tirar" preso da cadeia.

Publicado em 08/06/2026 às 16:58

Áudios obtidos durante a investigação que levou à prisão do delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, dos agentes da corporação, Everton Aires e Eduardo Jorge, apontam uma suposta antecipação de informações sigilosas sobre operações da polícia para integrantes de uma facção criminosa. Em uma das gravações, o investigador Everton, conhecido como "Bomba" fala sobre o caso. Ouça acima.

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No áudio, Everton fala com João Wicttor Alves de Lima, conhecido como "Vitor", que a Justiça coloca como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas pelos policiais, além de realizar transferências financeiras para integrantes do esquema.

No material, Everton cita que uma operação estava prestes a acontecer e que uma pessoa chamada "Breno" seria alvo. Ele pede para o interlocutor que avise Breno. A operação seria feita pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

"Agora tu fala o seguinte, Vitor, tu fala com o Breno, aí tu diz, conversou comigo e que os meninos da DRE entraram em contato comigo querendo saber onde era a casa da (nome inaudível). Tá entendendo? Pra se ele tiver algum flagroso em casa, alguma coisa, se livrar, ou se for receber alguma coisa, não receber, tão de olho nele", disse em um dos áudios.

O segundo áudio mostra que Everton comenta para um interlocutor não identificado sobre o resultado de uma operação, afirmando que "os abestalhados da DRE" prenderam o "Breno", que ele havia falado anteriormente para "se livrar de alguma coisa".

"Falei com ele, aqueles abestalhados da DRE, prenderam o Breno. Eu digo 'agora, dê um jeito de tirar'. Aí, vão fazer só um TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) lá e tirar ele. ô povo leso", disse em outro áudio.

Em outro áudio, o investigador, que é apontado como o principal suspeito de executar o esquema de desvio de drogas após operações da Polícia Civil e a posterior revenda ilegal, fala sobre a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado na Paraíba (FICCO), que é composta por agentes da Polícia Federal, Polícia Militar, pela própria Polícia Civil e outras forças de segurança, que tinha como alvo o Breno, já citado anteriormente.

"Hoje teve uma operação da FICCO, a FICCO é a delegacia que Breno é um dos alvos, aí eu tô perguntando se ele já deu notícia de vida hoje, que ele pode ter sido alvo na operação e a gente não sabe. Pra esse abestralhado se ligar, sempre ligado, pra nem ter flagrante em casa e na porra do celular", disse.

Ao Fantástico, o advogado de "Bomba" afirmou que o devido processo legal se instaurou e que o policial não aceita as acusações.


					Policial preso por tráfico de drogas antecipou operações para grupo criminoso na PB; OUÇA ÁUDIOS
Investigador da Polícia Civil da Paraíba Everton Aires - Foto: Reprodução/TV Globo.

A investigação

O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, afirmou que a investigação durou mais de um ano e que foram utilizados mais de 40 mil áudios durante as apurações.

“Mais de um ano de investigação, mais de 40 mil áudios analisados pela Polícia Civil e Gaeco. A gente tá combatendo a chegada do Comando Vermelho no nosso estado e agentes de segurança pública associados com traficantes alimentam essa facção para que possam retornar as drogas para as ruas. É uma gravidade importante de considerar”, disse.

A investigação também cumpriu mandados contra outros cinco suspeitos de integrar uma facção criminosa.

Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante que relatou que drogas apreendidas teriam sido desviadas por agentes da corporação. Ao longo das apurações, os investigadores reuniram elementos que indicam que o esquema investigado teria movimentado cerca de R$ 10 milhões em vendas ao longo de quatro anos.

Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça contra os suspeitos, oito foram cumpridos na operação Perfídus.

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Jornal da Paraíba

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