VIDA URBANA
PMJP faz levantamento social de travestis e transexuais para inserção social
Cadastro vai permitir identificar esta parcela da população LGBT para garantir acesso a políticas públicas
Publicado em 02/05/2015 às 8:00 | Atualizado em 14/02/2024 às 12:22
Cidadania, acesso ao mercado de trabalho e às mais diversas políticas públicas. Esses são alguns dos direitos que pretendem ser intensificados às travestis e transexuais por meio do Programa Transcidadania JP. Promovido pela coordenadoria de Promoção da Cidadania LGBT de João Pessoa, o programa fará levantamento social dessa parcela da população para possibilitar o acesso a políticas públicas específicas. Para representantes das travestis e transexuais, o programa é um avanço, mas o preconceito precisa ser desconstruído.
De acordo com o coordenador de Promoção da Cidadania LGBT de João Pessoa, Roberto Maia, o principal benefício trazido pelo programa será o combate à transfobia nos contextos sociais e familiares. Ele destacou que a população travesti e transexual de João Pessoa precisa ser inserida em políticas públicas, muitas das quais já existem, mas ainda estão distantes da comunidade LGBT, como o acesso à educação e ao mercado de trabalho.
“Muitas optam pela prostituição por falta de opções. Essas pessoas precisam ser respeitadas. É a exclusão pela identidade de gênero, pois alguns ainda enxergam a transexualidade como doença”, lamentou Roberto. Ele ainda lembrou que as travestis e transexuais são as maiores vítimas de crimes homofóbicos. “As travestis passam por muita violência institucional, como ter problemas para utilizar banheiros públicos ou não poder usar seu nome social. Temos conseguido avanços, mas precisamos dar um impulso e proporcionar autoestima a essa população para que todos se sintam cidadãos, independente da sua identidade de gênero”, comentou.
A diretora da Associação de Travestis e Transexuais da Paraíba (Astrapa), Andreina Gama, destacou que o programa é um avanço. “Nós não pedimos privilégios e esse programa não traz privilégios. Ele, na verdade, é um incentivo para que aquela travesti que anos atrás não teve condições de se qualificar faça isso. Queremos que a prostituição não seja a única opção, que sejamos reconhecidas pela nossa capacidade e identidade de gênero”, disse.
Saiba mais
Os interessados no programa podem se inscrever na coordenadoria de Promoção da Cidadania LGBT de João Pessoa, localizada no Paço Municipal (Praça Pedro Américo, 70 – Centro), no ambulatório TT do Hospital Clementino Fraga e no Espaço LGBT (Praça Dom Adauto, 58, Centro). No segundo semestre deste ano os inscritos serão convocados para participar dos projetos idealizados a partir desse levantamento.

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