EDUCAÇÃO
Enem 2026: há dois meses do exame, ainda dá tempo estudar?
Redação, matemática básica, resolução de questões e simulados estão entre as principais estratégias indicadas por professores.
Publicado em 11/09/2026 às 19:52

Faltam cerca de dois meses para o primeiro dia de aplicação das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2026. Para estudantes que ainda não conseguiram manter uma rotina de estudos ou que chegam à reta final com dificuldades em conteúdos importantes, o momento é de reorganizar a preparação e estabelecer prioridades.
De acordo com professores ouvidos pelo Jornal da Paraíba, ainda é possível avançar significativamente até a prova, mas a estratégia precisa ser diferente daquela adotada ao longo de um ano inteiro de preparação. Em vez de tentar recuperar todo o conteúdo de uma só vez, a orientação é concentrar esforços em assuntos recorrentes, resolução de questões, produção de redações e simulados.
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Para a professora de redação Josy Kelly Santos, o primeiro passo para quem estudou pouco é manter a calma e direcionar os estudos para aquilo que pode trazer resultados mais concretos.
“O importante nesta reta final é manter a calma e focar naquilo que funciona: resolução de questões (simulado). Apesar do pouco tempo, ainda há esperança”, explica.
Segundo ela, o estudante deve organizar uma rotina que contemple horários de estudo, produção de uma redação por semana e resolução de questões. A tentativa de estudar conteúdos isoladamente, sem uma estratégia definida, pode aumentar a ansiedade e dificultar a preparação.
Na matemática, a recomendação também é evitar a tentativa de recuperar todo o programa da disciplina. Para o professor de matemática José Ferreira Lima Neto, o foco deve estar nos conteúdos que oferecem maior possibilidade de garantir acertos nas questões fáceis e médias.
Entre os assuntos indicados estão quatro operações, frações, números decimais, razão e proporção, regra de três, porcentagem, conversão de unidades, gráficos e tabelas, estatística básica, geometria plana, Teorema de Pitágoras, escalas, volumes, equações do primeiro grau e função afim.
Dentro dessa lista, o professor aponta como prioridade regra de três, porcentagem, interpretação de gráficos e tabelas, estatística básica e geometria básica.
“São conteúdos que apresentam um bom custo-benefício para o estudante que dispõe de pouco tempo e precisa direcionar os estudos para questões mais acessíveis da prova”, afirma.
Redação: dominar a estrutura pode fazer diferença

A redação é uma das áreas que mais preocupa os candidatos na reta final. Para quem está começando praticamente do zero, Josy Kelly aponta que a prioridade deve ser entender a estrutura exigida pelo Enem e dominar as competências avaliadas.
O texto precisa seguir o modelo dissertativo-argumentativo, além de apresentar uma proposta de intervenção para o problema discutido. Por isso, conhecer a estrutura cobrada pela banca pode ajudar o candidato a organizar melhor o texto e evitar a perda de pontos por desconhecimento dos critérios de avaliação.
A professora recomenda ainda a leitura e interpretação das competências e a análise de redações que receberam nota mil em edições anteriores.
Para ela, o candidato não precisa chegar à prova sabendo reproduzir modelos prontos, mas compreender como os elementos exigidos aparecem em textos bem avaliados.
Matemática: menos fórmulas e mais interpretação

Em matemática, o professor José Ferreira explica que os chamados “atalhos” para quem tem pouco tempo não estão necessariamente em decorar fórmulas, mas em dominar conteúdos que aparecem com frequência e podem ser resolvidos a partir de raciocínio, interpretação e operações básicas.
Entre os assuntos que devem receber atenção estão razão e proporção, regra de três, porcentagem, gráficos e tabelas, estatística, escalas, conversão de unidades, geometria e função afim.
A recomendação é evitar uma preparação superficial de todo o conteúdo programático.
“Em dois meses, é muito mais eficiente dominar bem alguns conteúdos recorrentes e resolver muitas questões fáceis e médias do Enem do que tentar estudar superficialmente todo o programa de Matemática”, afirma.
Repertório coringa não é recomendado na redação
Na redação, uma das estratégias que costuma aparecer entre os candidatos é a tentativa de memorizar citações ou referências que possam ser utilizadas em diferentes temas. Para Josy Kelly, porém, essa não é uma boa alternativa.
A professora é enfática ao recomendar que os candidatos não apostem em “repertório coringa”.
A orientação é estudar por eixos temáticos, como saúde, educação, meio ambiente, tecnologia e questões sociais e culturais. Além disso, o estudante deve considerar conhecimentos adquiridos ao longo da vida escolar e fora dela.
Filmes, livros, acontecimentos históricos e questões contemporâneas podem ajudar na construção da argumentação, desde que tenham relação efetiva com o tema proposto.
"Repertório coringa JAMAIS. O candidato, mesmo na reta final, precisa estudar por eixos temáticos (saúde, educação, meio ambiente, tecnologia, social e cultural) e, principalmente, confiar no seu conhecimento de mundo, ou seja, nos filmes, livros, contextos históricos ou atuais que ele já estudou." destacou a professora.
Segundo Josy, os temas cobrados pelo Enem costumam abordar problemas que afetam a sociedade. Por isso, conhecimentos desenvolvidos em disciplinas como história, biologia e literatura também podem contribuir para a construção do repertório.
Simulados ajudam a descobrir onde o tempo está sendo perdido

Além de testar conhecimentos, os simulados podem funcionar como uma ferramenta para treinar a administração do tempo de prova.
No primeiro dia do Enem, os candidatos têm 5 horas e 30 minutos para responder às questões de linguagens e ciências humanas e produzir a redação. Para a professora de redação, o treinamento precisa reproduzir, sempre que possível, as condições encontradas no exame.
Uma das estratégias indicadas é reservar até duas horas para a redação durante o simulado. Se o candidato ultrapassar esse período com frequência, poderá comprometer o tempo disponível para as demais questões.
O professor de matemática também recomenda o uso de exercícios cronometrados. Segundo ele, a prática permite identificar quais conteúdos ou etapas da prova estão consumindo mais tempo.
Para quem tem duas ou três horas por dia, constância é essencial
Mesmo para estudantes que precisam conciliar a preparação com a escola, trabalho ou outras atividades, o professor de matemática considera possível estabelecer uma rotina objetiva.
Uma hora diária pode ser destinada à disciplina, dividida em três etapas: 30 minutos para resolver questões, 20 minutos para corrigir e analisar os erros e 10 minutos para revisar os conteúdos ou refazer exercícios que apresentaram dificuldade.
Uma vez por semana, o período pode ser utilizado para um bloco cronometrado de questões.
A orientação é evitar que a maior parte do tempo seja consumida apenas por videoaulas ou cópia de teoria. Para o professor, a sequência mais eficiente nesta reta final é resolver, corrigir, entender o erro e tentar novamente.
“Sou péssimo em matemática” deve ficar de lado

O desempenho em exatas também passa pela relação do estudante com a própria capacidade de aprender. Para José Ferreira, um dos primeiros obstáculos a serem enfrentados é a ideia de que alguém é naturalmente incapaz de aprender matemática.
A proposta é substituir o pensamento “sou péssimo em matemática” por uma avaliação mais realista: “ainda não domino alguns conteúdos, mas posso aprender o suficiente para avançar”.
O professor ressalta que, a pouco mais de dois meses da prova, o objetivo não deve ser dominar toda a matemática, mas conquistar os pontos possíveis a partir dos conteúdos prioritários.
“Não é preciso saber tudo; é preciso aprender o próximo passo e garantir os pontos que estão ao alcance”, afirma.
Atenção à interpretação pode evitar erros simples
Segundo o professor, parte dos erros cometidos pelos candidatos no Enem não está relacionada à falta de conhecimento matemático, mas à pressa na leitura e interpretação dos enunciados.
Entre os equívocos mais comuns estão responder a um resultado intermediário em vez do que foi efetivamente perguntado, esquecer conversões de unidades, confundir área e perímetro, aplicar porcentagem sobre um valor incorreto e interpretar de maneira equivocada gráficos, escalas e intervalos.
Também é comum que o candidato não perceba palavras como “diferença”, “total”, “restante”, “maior”, “menor” e “aproximadamente”.
Para reduzir esses erros, a recomendação é criar um hábito durante os estudos: antes de começar os cálculos, identificar exatamente o que a questão pede, quais informações serão utilizadas e em qual unidade a resposta deve ser apresentada.
Depois da resolução, o estudante deve fazer uma última conferência: a resposta encontrada realmente responde ao que foi perguntado?
A prática constante de questões de edições anteriores do Enem pode ajudar a transformar esse procedimento em um hábito para o dia da prova.
O que fazer nos próximos dias?

Com pouco mais de dois meses pela frente, as orientações dos professores convergem para uma preparação baseada em estratégia, prática e regularidade.
Para a redação, a prioridade é dominar a estrutura, compreender as competências avaliadas, produzir textos semanalmente e ampliar o repertório por meio de eixos temáticos, sem depender de citações decoradas.
Em matemática, o caminho indicado é concentrar esforços nos conteúdos mais recorrentes e acessíveis, resolver muitas questões e analisar os erros cometidos.
Os simulados devem fazer parte da rotina não apenas para medir conhecimento, mas também para treinar ritmo, interpretação e administração do tempo.
A reta final, portanto, não precisa ser encarada como um período de recuperação de tudo o que não foi estudado. A estratégia indicada pelos professores é identificar o que ainda pode ser aprendido, estabelecer prioridades e transformar os 66 dias restantes em um período de preparação direcionada.

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