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EDUCAÇÃO

Trabalho e Enem: jovens da Paraíba conciliam emprego e estudos em busca de uma vaga

Entre estágio, trabalho nos fins de semana, cursinho e escola, estudantes precisam organizar a rotina para manter a preparação para o exame

Publicado em 20/09/2026 às 8:04


					Trabalho e Enem: jovens da Paraíba conciliam emprego e estudos em busca de uma vaga
Arquivo Pessoal

Conciliar trabalho e estudos é parte da rotina de muitos jovens que se preparam para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Na Paraíba, estudantes que estão em diferentes momentos da vida escolar enfrentam o desafio de encontrar tempo para estudar sem deixar de lado as responsabilidades profissionais, domésticas e pessoais.

Em João Pessoa, duas histórias mostram como essa conciliação acontece de formas diferentes. Aos 19 anos, Josué Henrique Mendes Araujo ainda está no 3º ano do ensino médio e fará o Enem pela primeira vez. Além da escola, ele trabalha há pouco mais de um mês como estagiário em uma empresa de tecnologia, com uma jornada de quatro horas por dia.

Já Antônio Raniary do Carmo Corrêa Junior, de 18 anos, concluiu o ensino médio em 2025 e vai fazer o exame pela segunda vez. Ele trabalha com recreação infantil, principalmente nos fins de semana, enquanto mantém uma rotina de estudos durante a semana.

Embora estejam em momentos diferentes, os dois têm o mesmo objetivo: conquistar uma vaga no ensino superior.

Escola, estágio e pouco tempo para estudar


					Trabalho e Enem: jovens da Paraíba conciliam emprego e estudos em busca de uma vaga
Arquivo Pessoal

Para Josué, o desafio começa antes mesmo de chegar em casa. Depois de cumprir a jornada de estágio e as atividades da escola, o estudante ainda enfrenta o tempo gasto no transporte público e no trânsito.

Normalmente, ele chega em casa entre 19h30 e 20h. Ainda precisa realizar tarefas domésticas antes de começar a estudar. Por isso, o período reservado diariamente para o Enem costuma ficar entre 40 minutos e uma hora.

A escolha de não estender os estudos pela madrugada é também uma forma de preservar o descanso. Para o estudante, dormir pouco poderia prejudicar o desempenho na escola e no trabalho no dia seguinte.

“Com pouco tempo, ainda consigo estudar uns 40 minutos ou uma hora, para não ficar tarde e acabar me prejudicando na rotina estudantil do outro dia”, relata.

Além das obrigações, Josué pratica jiu-jítsu em alguns dias da semana. A atividade, segundo ele, ajuda a ter um momento de descontração em meio à rotina.

O estudante também conta que precisou reduzir momentos de lazer, como encontros com amigos e tempo nas redes sociais. Nos fins de semana, quando consegue ter mais tempo livre, busca equilibrar os compromissos.

Mesmo com o cansaço, ele não considera abandonar o trabalho ou os estudos. A importância dessas duas atividades, afirma, foi algo aprendido desde cedo.

“Nunca. Desde pequeno, fui ensinado que trabalho e, principalmente, os estudos são as coisas mais importantes do mundo. O trabalho é pela questão financeira e para, no futuro, ter estabilidade. E minha mãe falava que o conhecimento ninguém nunca tira de você”, afirma.

Como será sua primeira participação no Enem, Josué admite sentir insegurança diante da possibilidade de não conseguir uma vaga. Ao mesmo tempo, confia no esforço feito durante a preparação.

Entre as opções profissionais que considera estão Engenharia Elétrica e Educação Física.

Depois do ensino médio, foco maior na preparação


					Trabalho e Enem: jovens da Paraíba conciliam emprego e estudos em busca de uma vaga
Arquivo Pessoal

A rotina de Antônio é diferente. Como já concluiu o ensino médio, ele não precisa dividir o tempo com as atividades escolares. Por outro lado, o início da vida profissional trouxe a necessidade de fazer escolhas sobre quais trabalhos aceitar.

Ele atua com recreação infantil, principalmente em eventos realizados nos fins de semana. Quando surgem oportunidades de trabalho durante os dias úteis, geralmente prefere recusá-las para preservar o horário de estudos.

“Geralmente eu renuncio a esses eventos durante a semana para focar mais no estudo, para que no final de semana eu consiga trabalhar e conciliar o resto dos meus afazeres”, explica.

A preparação começa pela manhã, quando Antônio acompanha aulas em uma plataforma de ensino on-line. Três vezes por semana, ele também frequenta um cursinho presencial durante a tarde e retorna para casa à noite.

Para ele, estudar depois de concluir o ensino médio tornou a preparação mais organizada. Durante a escola, era necessário dividir o tempo entre os conteúdos do Enem, provas, trabalhos e outras atividades.

“Acredito que a preparação tenha ficado mais tranquila pelo fato de que, durante o período escolar, o tempo acaba tendo que ser distribuído em outros tipos de tarefa, o que prejudica um pouco”, afirma.

A experiência de fazer o Enem pela primeira vez também mudou a maneira como ele encara a prova. Agora, diz estar mais determinado a conquistar uma vaga.

A primeira opção de curso é Engenharia de Software. Caso não consiga ingressar na área, pretende tentar Engenharia Elétrica.

Entre escolhas e renúncias


					Trabalho e Enem: jovens da Paraíba conciliam emprego e estudos em busca de uma vaga
Enem 2025: tema da redação é 'Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira' - Foto: Divulgação. Divulgação

As experiências dos dois estudantes mostram que a preparação para o Enem não depende apenas de horas disponíveis para estudar. Para quem trabalha e ainda está na escola, como Josué, o tempo é dividido entre aulas, estágio, deslocamentos, tarefas domésticas e descanso.

Para Antônio, que já terminou o ensino médio, a organização é diferente. A possibilidade de trabalhar principalmente nos fins de semana permite reservar os dias úteis para a preparação, mas também exige abrir mão de algumas oportunidades profissionais.

Em comum, os dois precisam fazer escolhas para manter o objetivo de ingressar na universidade. Entre o trabalho, os estudos e os momentos de descanso, cada hora disponível precisa ser organizada.

Para Josué, o exame representa a primeira tentativa de chegar ao ensino superior. Para Antônio, é uma nova oportunidade depois da experiência do ano anterior. Em ambos os casos, a preparação para o Enem acontece enquanto os dois dão os primeiros passos na construção da vida profissional.

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Gabi Lins

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