Entrevista: Pedro aposta em 3ª via, critica Bolsonaro e Lula e diz que oposição da Paraíba estará unida em 2022

Por LAERTE CERQUEIRA e ANGÉLICA NUNES 

Pedro Cunha Lima, na Câmara. Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados

 

Há quase 120 dias de licença, o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) se prepara para voltar às atividades agora em agosto. Mas nesse período fora de Brasília foi difícil ‘fechar os olhos’ para o debate na capital federal.

Em entrevista ao Conversa Política, o deputado falou sobre os temas que ‘chacoalham’ a política do país, como impeachment, golpe, reformas tributária e administrativa, além do debate eleitoral nacional e estadual que define movimentos, articulações e as perspectivas das eleições.

Foram quase 50 minutos de conversa, divida em 6 blocos. Na primeira parte da entrevista, o deputado faz uma crítica dura aos privilégios da elite brasileira e fala da “PEC dos Penduricalhos”.

“No Brasil tem isso de encontrar atalhos, subterfúgios, mecanismos para favorecer esse topo”, o parlamentar se refere aos auxílios que ficaram no projeto que “proíbe” os super salários (acima do teto constitucional) e foi aprovado semana passada na Câmara.

“Veja que loucura: para uma criança mais pobre não tem vaga de creche. Esse mesmo país que nega essa vaga de creche para uma criança da comunidade, paga auxílio-creche para uma autoridade que recebe mais de R$ 20 mil. Então, a PEC dos Penduricalhos acaba com isso […] A elite do poder em Brasília é muito favorecida por esse arranjo, por esse modelo de país”, cravou.

Acompanhe, em detalhes, no trecho da entrevista:

Reformas

Num segundo momento, Pedro Cunha Lima opina sobre as reformas que estão sendo debatidas na Câmara: Tributária e Administrativa. O parlamentar afirma que é a favor de mudanças, mas é contra qualquer proposta de alteração que não inclua a “elite do serviço público”, que acabe com estabilidade ou que vá gerar mais impostos para empreendedores e para os mais pobres.

“Eu não voto em Reforma Administrativa se não incluir essa elite do funcionalismo […] deputado, senador, ministro, juiz, desembargador, Forças Armadas”.

No caso da Reforma Tributária, ele acredita que vai passar uma proposta fatiada. “Espero que ela saia, mas que saia para simplificar e para tornar o Brasil mais eficiente. Para tornar o sistema tributário mais justo, mais progressivo […] aumento de carga tributária jamais”, explicou.

Cannabis e Educação 

O deputado também falou sobre a Projeto de Lei que autoriza cultivo controlado da Cannabis para uso medicinal e a gestão do governo Bolsonaro na Educação. Os dois temas são centrais na sua agenda, no parlamento.

Sobre a PL da Cannabis, ele acredita que passará, mesmo com esforço do governo para derrubar a matéria.

“O mérito, a essência, a mobilização das pessoas, a participação da imprensa, que tem dado luz ao tema, para conscientizar, isso tem gerado muita força. Então, eu acredito que a gente vai conseguir aprovar esse projeto no plenário”, destaca.

Pedro também critica a gestão do governo na Educação. Entre os pontos, a falta de política para incentivar a formação de professores, de um programa para aumentar a vaga de creches. E aponta um único avanço: a aprovação do aumento de recursos para o Fundeb, de 10% para 23%, mas destacou que a iniciativa passou mais por causa do parlamento e menos pela ‘empolgação’ do governo.

Ameaça às eleições, voto impresso e aposta na 3º via

Falando da postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nesse momento político que vivemos, o parlamentar condena as ameaças de Bolsonaro às eleições de 2022 e diz que é a favor de qualquer alteração no sistema eleitoral, (que ele confia) que venha melhorar, trazer mais segurança ainda, porém condena a forma que o debate está sendo feito.

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“Essa hipótese de não haver eleição, isso não existe. A gente tem uma democracia consolidada […] fazer desse debate um ambiente para desestabilizar o país e de que ‘eu não vou aceitar o resultado’ se não for assim… Vai ter que aceitar o resultado. Perdendo a eleição vai ter que aceitar”, afirmou.

Terceira via 

Pedro Cunha Lima está confiante na ascensão de um terceira via que vai tirar os eleitores brasileiros da polarização Bolsonaro versus Lula. Pedro destaca o nome de Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, que deve ir para o PSD, bem como o nome de Eduardo Leite, de seu partido, o PSDB.

O parlamentar explicou que sua postura é reformista e, por isso, muitas vezes as matérias que ele vota são, em geral, governistas. Como ele quer mudanças, Pedro afirma que faz um apoio crítico ao governo, mas não está entre os que pregam “quanto pior melhor”. E ressalta: “eu não me furto em criticar as aberrações, os absurdos do atual governo. Porque é uma questão de obrigação”.

“Eu não votarei em Bolsonaro no primeiro turno. Isso pra mim já é algo muito claro”, afirmou. Veja os detalhes deste ponto no vídeo abaixo:

Clima para “golpe” e impeachment

Pedro Cunha Lima não acredita que há possibilidade de “golpe” no país ou que presidente tem força política para isso.

“Eu não acredito que Bolsonaro vá por esse caminho. Sobretudo porque não tem força política. No momento que o Brasil tentar dar um golpe, para ser um ditador do Brasil, se é essa a hipótese, deve usar a força para se manter no poder, o Brasil inteiro, praticamente, vai para rua pra dizer: ‘amigo, não é assim não’. Você ganhou a eleição no voto”, criticou.

Sobre a abertura de um processo de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, o parlamentar entende que ainda não há crime para isso e crava:

“Eu acredito que a gente tem que derrotar Bolsonaro na urna. E não através do impeachment”

A oposição unida na Paraíba e candidatura do pai 

Na última parte da entrevista, Pedro falou sobre a união da oposição na eleição do ano que vem. Entende que as divergências nacionais não vão prejudicar o embate local. Sobre a candidatura ao governo do estado, registrou que, para ele, Romero Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Campina Grande, apresenta-se com mais força nos membros da oposição.

“É um nome que me representa […] Se lá na frente houver um sentimento que fortaleça o meu nome e aquilo que a gente defende, eu estou pronto para exercer essa função”, explicou.

De acordo com Pedro em 30 ou 60 dias a “conversa” sobre tema vai se afunilar e nome vai ser definido.

Pedro falou também sobre uma eventual candidatura do pai, o ex-senador Cássio Cunha Lima (PSDB).

“Eu torço que ele volte e exerça um mandato […] ele vive um momento feliz que o distanciou da política. Essa distância, que esse novo momento trouxe, acaba que na minha opinião faz com que é mais provável que ele não dispute a eleição do ano que vem do que ele dispute, apesar da minha torcida”, afirmou.

Aperta play que tem mais detalhes desses pontos:

 

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