Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Vereador de Alhandra é acusado de intolerância religiosa e vira alvo de representação criminal; assista vídeo

Por ANGÉLICA NUNES e LAERTE CERQUEIRA

 

Foto: arquivo pessoal

As declarações de um vereador de Alhandra, que recaiu no campo da intolerância religiosa, viraram caso de polícia. Em sessão na Câmara Municipal, no último dia 16 de agosto, Jeremias Santos (Progressistas) usou a tribuna para proferir termos ofensivos contra religiões, entre elas, as de matrizes africana e indígenas.

Os alvos do parlamentar, ao demonstrar intolerância (e ignorância) com as religiões, eram o vereador João Ferreira, conhecido como João Sufoco (DEM), e o deputado Branco Mendes (Podemos).

“Eu aconselho que ele procure a cartomante do amor, Mãe Delamare. De lá, ele procure o terreiro de Pai Baêta, lá na Ilha do Bispo para tirar esse encosto amaldiçoado que ele tem na vida desse vereador. Por fim, procure o templo maior da Igreja Universal do Reino de Deus, na sessão do descarrego, para tomar conta da sua vida”, declarou o vereador Jeremias.

Sobre o Branco Mendes, Jeremias disse que o parlamentar odeia evangélicos e quando era vereador tomou um banho de 20 litros de sangue de bode e dois litros de sangue de guiné para “entregar a alma ao diabo”. “Ele é o cão, por isso ele odeia evangélicos. João Ferreira andando com ele, cheio de cão”, seguiu acusando.

Caso de polícia

O caso repercutiu na cidade que é considerada o berço nacional da Jurema Sagrada (religião de matriz indígena). Em consequência, representantes do Fórum Diversidade Religiosa Paraíba e da Associação Religiosa Sobô Nirê Mafá (Instituto Malunguinho é Rei) foram até a Delegacia da Polícia Civil de Alhandra, nesta quinta-feira (19), para protocolizar representação criminal contra o vereador.

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O caso também está sendo acompanhado pela Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Paraíba (OAB-PB).

Representantes do órgão se reuniram com o presidente da Câmara Municipal de Alhandra, o vereador Sargento Val, para sugerir a criação de leis municipais relacionadas ao direito da liberdade religiosa, como a de enfrentamento a intolerância, a da regulamentação do ensino religioso nas escolas, e da criação da semana da liberdade religiosa, a exemplo do que ocorre em outras cidades.

“São conquistas que já implementamos em outras cidades e oferecemos a Alhandra a mesma oportunidade”, ponderou Saulo Gimenez, coordenador geral do Fórum Diversidade Religiosa – Paraíba, entidade que reúne representantes de mais de 30 religiões no estado.

Não à intolerância

O advogado Tarcísio Feitosa, vice-presidente da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa, ressaltou que quando a religião do outro é atacada, abre-se espaço para que a nossa própria seja atacada no futuro e concluiu dizendo que “como cristão, sinto-me envergonhado por alguém que professa o cristianismo desvirtuar a mensagem de amor e inclusão pregada pelo Mestre, que a todos tratava com igualdade e empatia”.

Franklin Soares, que também é membro do Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-Brasileiras (IDAFRO) explica que “uma Representação Criminal pode ser feita por qualquer um do povo quando houver indícios da prática de crimes que devam ser apurados em Ação Penal Pública, como é o caso dos crimes de preconceito e racismo da Lei 7.716/89”.

Veja vídeo:

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