Angélica Nunes
Laerte Cerqueira

Como o governo vai frear a alta dos combustíveis e do gás? Lira já está preocupado

Presidente da Câmara demonstra medo desse cenário inflacionário, antipopular, que afetará o projeto do Centrão bolsonarista. O próprio projeto de poder.

Foto: Edu Andrade/Ascom/ME

O aumento constante e “sem barreiras” do preço dos combustíveis e do gás de cozinha, considerados itens básicos em um país desigual, com transporte público fracassado, e com preço de produtos vinculados ao custo de transporte, é um calo para qualquer governo. E quando é um governo com popularidade caindo, é um desastre.

Por isso, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que tenta sustentar Jair Bolsonaro (sem partido), resolveu discutir a questão, no fim da semana passada, com o presidente e com seu ‘ministro Ipiranga’, Paulo Guedes. Nenhuma solução até agora.

Lira já está com medo desse cenário inflacionário, antipopular, afetar o projeto do Centrão bolsonarista. O próprio projeto de poder. Quer saber quem vai solucionar. Já viu que a redução do ICMS dos estados é só boa retórica do presidente e de aliados. Na prática, não resolve o problema na origem: variações do dólar e do barril do petróleo.

Mesmo assim, no encontro, o presidente da Câmara afirmou que o tema voltou a ser abordado com uma proposta que altera a cobrança do ICMS, unificando a tarifa e mantendo um valor fixo para o imposto estadual. Na mesma direção, pode ser apenas enxugar gelo.

Os governadores, que arrecadam mais com a alíquota do ICMS vinculada ao preço nas alturas, tentam se livrar da pecha de culpados. Conseguiram até agora, mas vão ter de admitir, em algum momento, que os impostos são altíssimos para o item que não é supérfluo. Vão ter que repensar.

Em outra frente, a Petrobrás não deve intervir. O mercado tem náuseas com a possibilidade. Foi o que Dilma fez e deu no que deu: um preço represado, maquiado, que era lindo, em 2014, mas que desabou em 2015.

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Na reunião, Lira lembrou que a Câmara aprovou nesta semana proposta que corta pela metade o preço do botijão de gás para famílias com baixa renda. Também é um paliativo. Se a cotação sobe, até a metade do preço vai ficar “salgada”.

A solução, segundo ele, pode estar nas propostas que busquem melhorar a composição de preços dos combustíveis de forma a mantê-los mais estáveis diante das variações do dólar e do barril do petróleo. Entre as ideias, a criação de um fundo “para dar conforto às oscilações”.  Ou seja, o governo vai ter que subsidiar as subidas, visto que, ultimamente, quase não desce.

Não é o melhor caminho, mas talvez a preocupação com o cenário eleitoral do ano que vem faça o ministro da Economia (que aumentou sua fortuna com dólar alto em paraísos fiscais) consiga encontrar uma solução. Guedes já mostrou que é ótimo economista em Chicago, nos EUA, mas é escancarado que não sabe resolver os problemas reais do Brasil. Não sabe o que é pobreza, privação, miséria e fome. Acha que são “coisas do destino” e que fazem parte desse modelo de capitalismo, no qual miseráveis e pobres devem existir, em massa, para ser a base do sistema.

Será fritado quando a eleição se aproximar e não encontrar uma solução eleitoreira para o país. Será fritado pelo mercado porque também não dará uma solução mercadológica. Lira tenta fazer o jogo. Um jogo que ele não pode perder.