POLÍTICA
Governo Federal lança programa de combate ao crime organizado; entenda
Iniciativa prevê fortalecimento das forças de segurança, compra de equipamentos e investimento em unidades prisionais.
Publicado em 12/05/2026 às 18:26

O Governo Federal lançou, nesta terça-feira (12), o programa "Brasil Contra o Crime Organizado". A iniciativa prevê ações de fortalecimento das Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (Ficco), compra de equipamentos e investimento em unidades prisionais de segurança máxima.
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Em 2026, serão investidos R$ 1,06 bilhão por meio do programa, que deve atuar a partir de quatro eixos de ação:
1. Enfraquecimento financeiro do crime organizado
O primeiro eixo do programa terá um investimento de R$ 388,9 milhões. As ações previstas incluem o fortalecimento da Ficco e a criação de uma nova Força Nacional, que deve facilitar a atuação conjunta em operações interestaduais.
Outras medidas definidas para o eixo são:
- instalação, em outras unidades federativas, do Comitê Integrado de Investigação Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA), criado em novembro de 2023, pelos governos federal e do Rio de Janeiro;
- uso de novas ferramentas de análise criminal, como as modernas soluções tecnológicas para extração de dados de dispositivos móveis (smartphones; tablets, notebooks e wearables etc);
- ampliação da alienação antecipada de bens do crime organizado, com leilões centralizados no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
2. Fortalecimento da segurança nas unidades prisionais
O investimento inicial para o segundo eixo será de R$ 330,6 milhões. A ideia é dificultar a articulação criminosa dentro das unidades prisionais.
A proposta prevê a criação de 138 unidades prisionais de segurança máxima, com critérios semelhantes aos dos presídios federais.
Outras ações previstas são:
- aquisição de drones, kits de varredura, raios X, veículos, georradares, scanners corporais, detectores de metal, soluções de áudio e vídeo e bloqueadores de celulares;
- criação do Centro Nacional de Inteligência Penal (CNIP);
- realização de operações integradas de inteligência para retirada de celulares, armas, drogas e outros objetos ilícitos dos presídios;
- fortalecimento das agências de inteligência penitenciária;
- capacitação de servidores e da padronização de protocolos de segurança.
3. Qualificação da investigação de homicídios
Para o terceiro eixo, serão distribuídos R$ 201 milhões dedicados à melhora da eficiência na resolução de crimes letais. A medida irá qualificar a investigação dos crimes.
O eixo irá atuar a partir das seguintes medidas:
- fortalecimento das polícias científicas;
- estruturação e qualificação dos Institutos Médico-Legais (IMLs);
- fortalecimento da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos;
- articulação do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab);
- aquisição pelo governo federal, e posterior distribuição aos estados, de equipamentos como freezers científicos, viaturas refrigeradas para transporte de corpos, mesas de necropsia, mesas ginecológicas, comparadores balísticos, equipamentos de DNA, kits de coleta e amplificação de material biológico, armários deslizantes e cromatógrafos.
4. Enfrentamento ativo ao tráfico
O quarto eixo terá um investimento de R$ 145 milhões. As ações preveem enfrentamento ao comércio ilegal de armas, munições e explosivos.
Entre as ações previstas estão:
- fortalecimento da capacidade de rastreamento e investigação;
- criação da Rede Nacional de Enfrentamento do Tráfico de Armas, Munições, Acessórios e Explosivos (Renarm);
- fortalecimento do Sistema Nacional de Armas (Sinarm);
- aparelhamento de delegacias especializadas;
- operações integradas de combate ao tráfico e ao desvio de armas.
A ideia é que o programa auxilie a articulação entre os órgãos federais, estaduais e municipais de segurança. Além do investimento inicial, o programa também estabelece uma linha de crédito de R$10 bilhões para a segurança pública.
A partir da linha, os estados e municípios poderão usar o valor para a reforma de estabelecimentos penais e compra de equipamentos como veículos operacionais, itens de proteção individual, drones, armas de menor potencial ofensivo, sistemas de radiocomunicação e videomonitoramento de câmeras e scanners corporais.
O dinheiro será assegurado pelo Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social, iniciativa criada em 2024 para o financiamento de investimentos em infraestrutura social.
*Com informações da Agência Brasil

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