PLENO PODER
Pedido de vista adia análise sobre Emendas milionárias de Cabo Gilberto para associação de tiro
Relator destacou não atendimento ao interesse público em Emendas do parlamentar
Publicado em 08/07/2026 às 16:25

O Órgão Especial do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) começou a julgar, nesta quarta-feira (08), o mandado de segurança impetrado pela Associação Paraibana de Tiro Prático que busca liberar duas Emendas Impositivas direcionadas ao deputado federal Cabo Gilberto (PL) para a entidade. Os recursos foram 'barrados' pelo Estado, sob a justificativa de não atenderem ao interesse público e de beneficiarem 150 pessoas vinculadas à entidade.
O relator do caso, o desembargador Joás de Brito, concordou com a tese da Procuradoria do Estado e observou que o Poder Executivo possui a prerrogativa de avaliar o interesse público existente na destinação dos recursos, mesmo aqueles oriundos de Emendas Impositivas parlamentares.
Em sua explanação, Joás reiterou que as Emendas destinadas pelo Cabo Gilberto beneficiariam uma entidade e uma prática esportiva "diminuta", com apenas 150 praticantes - enquanto os mais de 4 milhões de paraibanos vivem com outras diversas demandas sociais.
"A impositividade não é absoluta. Orçamento impositivo não deve ser confundido com orçamento arbitrário. Do contrário teríamos a renúncia ao dever de fiscalização do executivo", discorreu Joás.
"O gasto público deve ser orientado pela ótica social. Uso de verbas públicas para favorecimento de nichos específicos atenta contra a moralidade. O envio desses recursos carece de justificativa razoável sob a ótica do interesse público primário", complementou o desembargador, denegando o pedido.
Depois dele, o primeiro a se manifestar foi o desembargador Leandro dos Santos. Ele apresentou um pedido de vista para analisar o caso.
Já os advogados da Federação, entidade que receberia os quase R$ 2 milhões das duas Emendas, defendeu o repasse.
Para a entidade o Governo estadual não pode 'barrar' as Emendas, já que elas foram aprovadas pelo Ministério dos Esportes e tiveram planos de trabalho também aprovados.
"Não se discute conveniência administrativa, política pública, a criação de programa governamental. O que estamos discutindo aqui é o Estado poder deixar de praticar um ato administrativo indispensável para não liberar recursos federais transferidos pela União", argumentou o advogado Hipólito Lima.
O advogado ainda lembrou que a Federação possui 34 anos de existência.
Entenda o impasse
As duas Emendas somadas para a Federação de Tiro somam quase R$ 2 milhões. Elas foram transferidas pela União ao Estado da Paraíba em outubro de 2025, mas o Governo embargou a liberação.
A Procuradoria do Estado afirma que os recursos não atendem ao interesse público, por beneficiarem um público estimado em 150 pessoas.
O Estado defende que as Emendas sejam direcionadas para atender outras demandas sociais. Já Cabo Gilberto, à época em que o impasse se tornou público, defendeu a destinação sob a justificativa de que as Emendas beneficiariam uma prática esportiva.

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