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SAÚDE

Check-up: melhor deixar para depois do carnaval?

Publicado em 29/12/2023 às 17:52 | Atualizado em 05/02/2024 às 11:27


                                        
                                            Check-up: melhor deixar para depois do carnaval?
Foto: Arquivo

Check-up. Melhor deixar para depois do carnaval?

Check-up de final de ano salva vidas? São perguntas que sempre me faço

As férias chegam e a primeira coisa que se pensa é: descansar. No entanto, grande parte das pessoas que se preocupam com a saúde decide priorizá-la.  Fazer uma bateria de exames, por exemplo, é a primeira coisa que vem na cabeça dos mais preocupados em saber como anda o funcionamento do organismo.

Doenças devem ser detectadas o quanto antes, para que haja sucesso no tratamento, certo?

Talvez nem tanto...

Pode parecer confuso para um médico afirmar para você não fazer exames, logo aqui no Brasil, onde 70% das pessoas só procuram médico quando tem alguma coisa.Mas essa minha opinião é compartilhada por outros especialistas.

Exames em excesso não fazem bem.


				
					Check-up: melhor deixar para depois do carnaval?
By Bluerasberry - Own work, CC BY-SA. By Bluerasberry - Own work, CC BY-SA 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=41289479

Para o americano H. Gilbert Welch, médico e autor do livro  "Overdiagnosed",  a epidemia de exames preventivos, ou check-ups, como  coloca a população em perigo mais do que salva vidas.

Citando pesquisas, ele mostra evidências de que muita gente está recebendo "sobrediagnóstico": são tratadas por doenças que nunca chegariam a incomodá-las, mas que são detectadas nos testes preventivos.

Se sairmos perguntando de um a um, a imensa maioria das pessoas irá responder que tem medo de descobrir um câncer ou doença em fase que não seja possível mais um tratamento adequado.

Quem procura sempre acha

De acordo ainda com Welch, a busca exagerada por diagnóstico acaba levando os médicos a detectaram doenças que nem precisariam ser tratadas. Ele cita como exemplo as campanhas americanas de detecção precoce de câncer de mama e próstata nos Estados Unidos: apesar do aumento do número de diagnósticos, o número de mortes não se altera ao longo de décadas.

Diagnóstico baseado em evidências

Um exame populacional só faz diferença se usado em massa quando acompanhado de diminuição da mortalidade.

Muitos exames como marcadores tumorais, usados para acompanhamentos de pacientes já com diagnósticos acabam sendo usados para screening populacional, gerando uma verdadeira pandemia de ansiedade e sofrimento mental. Sem falar nos falso-positivos ( pois é, exames podem estar errados). O grande problema é quando pacientes acabam sendo tratados a partir de exames com resultados conflitantes. Além do custo financeiro e emocional, já vi pacientes com lesões graves resultantes de procedimentos desnecessários e que acabaram custando a própria vida.

Economia Global

Os gastos com saúde aumentam mais rapidamente do que a economia global. Segundo um relatório sobre gastos globais da Organização Mundial da Saúde divulgado em 2020 os custos com saúde já representavam 10% do Produto Interno Bruto, PIB, global. Aumento de quase 40% nos últimos 50 anos.

O documento revela que a rápida tendência de subida dos gastos globais com saúde é “particularmente notável” em países de baixo ou médio rendimentos, onde o tipo de gastos cresce em média 6% ao ano. Nos países mais ricos, a média é de 4%.

No caso do Brasil, o SUS depende de financiamento público e mesmo a saúde suplementar acaba deficitária. A conta nunca fechou e nem fechará.

Em 2023, mais um ano, os gastos com saúde ficarão a cima da inflação.

Visita ao médico

Uma maneira de otimizar custos com a saúde é uma visita rotineira ao médico, pelo menos uma vez ao ano. Evitar os combos da internet com listas intermináveis de exames que se personalizadas não tem nada e fugir dos médicos que vendem saúde a partir de pilhas e pilhas de exames.

Uma boa conversa, um exame clínico e uma pouco de epidemiologia são excelentes ferramentas para orientador o seu médico quais os exames são fundamentais para cada pessoa.

Melhor deixar para depois do carnaval?

Encontros regados a petiscos com os amigos, ceias de Natal e Réveillon, descanso dos exercícios físicos… Hábitos típicos do fim de ano e das férias podem repercutir, pouco tempo depois, nas taxas de colesterol, glicose e tudo mais.

Um estudo publicada na Dinamarca comparou mais de 25 mil pessoas. Um grupo fez os exames em janeiro, logo depois do réveillon e o outro grupo, algumas semanas depois das festividades.

Com os dados em mãos, os cientistas observaram que a turma avaliada entre dezembro e janeiro possuía, em média, uma taxa de colesterol total 20% maior do que a outra. Esse pessoal ainda apresentou índices mais altos de LDL (colesterol ruim) em torno de 25%, o que se relaciona com maior risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

O estudo concluiu que os níveis de gordura e acúcar no sangue das pessoas em dezembro e janeiro não refletiam os níveis anuais, mas os comportamentos de risco que assumiam nas festas de fim de ano ( sedentarismo e gula). Talvez devêssemos abandonar o hábito de fazer check-up nos fins de ano.

Têm ainda os mais radicais que recomendam abandonar de uma vez por todas o tal de check-up.

De uma vez por todas, exames não resultam em diminuição de mortes. Bons hábitos sim.

Boas festas e vamos deixar o check-up para quem sabe, depois do carnaval.

Imagem

André Telis

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