COTIDIANO
Justiça torna cantor João Lima réu por tentativa de feminicídio
MPPB aponta outros cinco crimes, e o processo segue para a fase de instrução, com possibilidade de julgamento pelo Tribunal do Júri.
Publicado em 25/03/2026 às 9:43

A Justiça da Paraíba acatou a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e tornou réu o cantor João Lima, investigado por violência contra a ex-esposa. A decisão foi assinada pela juíza Graziela Queiroga no dia 20 de fevereiro. O JORNAL DA PARAÍBA teve acesso ao teor dos documentos nesta quarta-feira (25).
Segundo o MP, os fatos descritos na denúncia, apontam que o cantor deve responder por tentativa de feminicídio, com agravante de meio cruel, em razão de asfixia, além de estupro, lesão corporal no contexto de violência doméstica, induzimento ao suicídio, ameaça e violência psicológica contra a mulher.
O JORNAL DA PARAÍBA entrou em contato com a defesa do cantor João Pessoa, que informou que deve se pronunciar nas próximas horas.
Ao receber a denúncia, a Justiça determinou a citação do acusado para apresentar defesa. A partir disso, João Lima terá prazo de 10 dias para apresentar a defesa inicial, com sua versão dos fatos, juntada de documentos e indicação de testemunhas.
A advogada da vítima, Dayane Carvalho, afirmou que o recebimento da denúncia representa a formalização das acusações apresentadas ao longo da investigação.
"Isso não é uma condenação, mas também não é algo simples. É o reconhecimento de que há indícios concretos de autoria e materialidade, e que o caso precisa ser enfrentado com seriedade. Para a Rafaella, isso tem um peso muito grande. Porque deixa de ser apenas a dor dela narrada e passa a ser uma acusação formal, construída com base em provas, laudos e depoimentos”, afirmou.
João Lima segue preso no Presídio do Roger
O cantor João Lima está preso desde 26 de janeiro no Presídio do Roger, em João Pessoa, após ser denunciado por agressões contra a ex-esposa. Ele completa quase três meses de prisão preventiva.
A defesa apresentou um pedido de habeas corpus para que o cantor responda ao processo em liberdade. O Ministério Público da Paraíba se manifestou de forma contrária, e o recurso ainda não tem data definida para julgamento pela Justiça.
Relembre o caso
O cantor paraibano João Lima passou a ser investigado por violência doméstica contra a ex-esposa, após vídeos divulgados em redes sociais mostrarem agressões. A vítima registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa.
Após a repercussão do caso, a ex-esposa de João Lima, a vítima publicou um texto nas redes sociais onde confirmou publicamente a violência sofrida. Ela relatou que estava enfrentando "uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história", e disse que "não há palavras que expliquem o impacto disso na vida de alguém".
Segundo os autos do processo, as agressões registradas por uma câmera de segurança ocorreram em 18 de janeiro. Na denúncia, João Lima “teria agredido a vítima com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar seus gritos”. Ainda de acordo com o documento, ele teria entregado uma faca à mulher e mandado que ela se matasse.
Três dias depois, o cantor teria ido à casa da mãe da vítima e feito novas ameaças, afirmando que “acabaria com a vida dela caso não reatasse o relacionamento” e que, se ela se envolvesse com outra pessoa, “mataria ambos”.
A advogada da vítima, Dayane Carvalho, afirma que não houve episódios de violência durante os dois anos de namoro. Já depois do casamento, câmeras internas da casa do casal registraram algumas das agressões.
A vítima e João Lima se casaram em novembro de 2025, e as agressões começaram ainda na lua de mel. “Cinco dias depois, quando eu estava na minha lua de mel, ele já me bateu.”
A defesa da vítima informou que, em um dos episódios registrados, o casal já estava separado, após Raphaella pedir um tempo no relacionamento. Nesse período, ela voltou a morar com os pais e ainda não havia contado sobre as agressões.
Como denunciar violência contra a mulher
Denúncias de estupros, tentativas de feminicídios, feminicídios e outros tipos de violência contra a mulher podem ser feitas por meio de três telefones:
- 197 (Disque Denúncia da Polícia Civil)
- 180 (Central de Atendimento à Mulher)
- 190 (Disque Denúncia da Polícia Militar - em casos de emergência)

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