COTIDIANO
Mulher fica paraplégica após queda de elevador em condomínio de João Pessoa; veja o que se sabe
Justiça mandou construtora substituir todos os elevadores do condomínio, localizado no bairro do Altiplano, e que também deixou duas crianças feridas.
Publicado em 16/05/2026 às 7:14

Um elevador despencou do terceiro andar de um prédio em um condomínio residencial no bairro do Altiplano, em João Pessoa, na tarde da quarta-feira (13). Dentro da cabine estavam uma mulher e duas crianças. Após a queda, as vítimas ficaram presas no fosso do elevador. Moradores do condomínio conseguiram abrir a porta da cabine do elevador e iniciaram o resgate por conta própria, antes da chegada das equipes de socorro.
A mulher ficou paraplégica após o ocorrido. Inicialmente ela foi internada no Hospital de Trauma de João Pessoa, e posteriormente foi transferida para um hospital particular da cidade posteriormente. As crianças sofreram escoriações leves e tiveram alta.
O Jornal da Paraíba separou as principais informações sobre o que aconteceu e também acerca de uma decisão judicial que determinou a substituição integral dos elevadores do condomínio após a queda do equipamento.
Mulher paraplégica e as crianças feridas
Uma mulher de 36 anos, que estava no elevador no momento em que o equipamento despencou, ficou paraplégica porque teve uma lesão na coluna. Na quinta-feira (14), ela passou por uma cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Neves e tem quadro clínico estável.
A mulher estava acompanhada dos filhos, duas crianças de 3 e 5 anos, respectivamente, mas que foram atendidas e tiveram alta do Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
Segundo o diretor do Trauma, para onde a mulher foi socorrida, o diagnóstico de paraplegia foi constatado pelo setor responsável do hospital e a família da paciente foi informada.
Segundo Laécio Bragante, diretor do Trauma, a paciente é estrangeira e a família solicitou a transferência dela para um hospital particular em João Pessoa.
“O diagnóstico de paraplégica foi confirmado e diagnosticado através de tomografia e outros exames feitos pelo setor de neurocirurgia. Apesar da solicitação de transferência, já tem programação cirúrgica para estabilização da coluna da paciente. Quando há um trauma desse, é preciso fazer a estabilidade nas vértebras para não haver dano adicional à medula. Essa cirurgia é feita colocando placas laterais para a coluna ficar estável, alinhando pelo menos três vértebras”, afirmou o diretor.
Uma vizinha confirmou à TV Cabo Branco que a mulher é natural do Suriname, mas a família mora na Holanda. Ela trabalha em regime remoto e se mudou para João Pessoa com os dois filhos, de três e cinco anos, por gostar do clima da cidade.
As crianças ficaram sob os cuidados de um morador do condomínio, amigo da mulher, e permanecem no apartamento dela.
Laudo de 2026 aponta falhas
O documento, elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, lista várias inconformidades no elevador do Bloco B, incluindo problemas considerados de alta prioridade e risco à segurança dos moradores. Neste bloco, inclusive, houve o desabamento do elevador, que feriu as três pessoas.
Entre os principais problemas encontrados estão a ausência de sinalização de segurança e de controle de acesso à casa de máquinas do elevador, falta de extintor de incêndio adequado, inexistência de iluminação de emergência e falhas no aterramento elétrico do sistema. O laudo também registrou ausência de ventilação adequada, problemas de organização da instalação elétrica e ausência de dispositivos de resgate emergencial.
O documento aponta ainda que a máquina de tração do elevador, “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”. O laudo recomendou a substituição completa do equipamento. A pendência foi classificada com prioridade “alta”.
Neste mesmo laudo, foi apontado pela vistoria técnica alguns outros problemas como: uso de fita isolante na corrediça de um dos elevadores e também a falta de freios em um equipamento no residencial. A utilização da fita é tratada como um defeito no documento e que as corrediças do elevador em questão precisariam ser substituídas.
Além disso, o problema nos freios foi classificado como de alta prioridade, para ser resolvido de forma urgente. Também não se sabe se os problemas foram corrigidos após o laudo e também se o elevador onde a mulher caiu tinha o mesmo problema.
Disputa judicial
A juíza Shirley Abrantes, da 8ª Vara Cível de João Pessoa, mandou a construtora GGP substituir integralmente os elevadores do condomínio Reserve Altiplano I.
e acordo com a decisão, a magistrada viu "falhas estruturais" nos aparatos dos elevadores e atribuiu responsabilidade sobre isso para a construtora. Em um trecho da decisão, a juíza destaca o seguinte, a partir de provas inseridas nos autos:
"Os vícios não são meramente estéticos ou decorrentes de mau uso, mas falhas graves de projeto e instalação, atraindo a responsabilidade do construtor nos termos do Art. 618 do Código Civil e do Art. 20 do CDC", diz trecho.
Na decisão, a Justiça também observou que a substituição dos elevadores deva ser adotada com urgência. Após a construtora contratar uma perícia e realizar uma vistoria, a troca dos equipamentos deverá ser concluída em até 90 dias. A empresa também terá de apresentar um cronograma das obras e poderá pagar multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento.
Elevadores estão interditados

A Defesa Civil de João Pessoa interditou 12 elevadores do residencial Reserve Altiplano 2, nesta sexta-feira (15). O empreendimento é da mesma construtora e vizinho ao condomínio onde um dos equipamentos desabou com três pessoas dentro da cabine e deixou uma mulher paraplégica , em João Pessoa.
Na quinta-feira (14), a Defesa Civil já tinha interditado os elevadores do condomínio onde o acidente aconteceu. De acordo com o coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal, a interdição foi motivada por pedido do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB).
Ao ser procurada pelo Jornal da Paraíba, a construtora responsável informou que a interdição fica por conta da administração do condomínio, que não foi localizada até o momento.
O que diz a construtora e o condomínio
Procurada, a construtora disse, em nota, que "a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, recai integralmente sobre o condomínio a partir do momento em que os moradores passam a fazer uso regular desses equipamentos" e que "permanece à disposição das autoridades competentes e da administração condominial para colaborar com as apurações em curso".
Sobre as alegações do condomínio de falhas estruturais e sobre o processo na Justiça, a construtora não respondeu até a última atualização desta reportagem.
A administração do condomínio informou, em nota, que a prioridade, após o desabamento, foi o atendimento à mulher e às duas crianças feridas na queda do elevador e que prestou apoio imediato às famílias.
O condomínio afirmou que problemas técnicos nos elevadores são registrados desde a entrega do empreendimento e que, diante da falta de solução definitiva, acionou a Justiça para pedir a substituição dos equipamentos.

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