CONVERSA POLÍTICA
Itapororoca tem mais comissionados que efetivos e entra na mira do Ministério Público da Paraíba
MP recomendou que o prefeito de Itapororoca apresente, em até 60 dias, um plano para reduzir gradualmente o número de comissionados.
Publicado em 03/03/2026 às 17:47 | Atualizado em 03/03/2026 às 19:18

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) recomendou que o prefeito de Itapororoca apresente, em até 60 dias, um plano para reduzir gradualmente o número de cargos comissionados no município. A orientação inclui cronograma definido, metas objetivas e relatórios semestrais de acompanhamento.
Além disso, o MP orientou a suspensão imediata de novas nomeações para cargos comissionados, salvo nos casos em que houver justificativa prévia e expressa apresentada ao órgão.
A recomendação foi expedida pelo 4º promotor de Justiça de Mamanguape, Ítalo Mácio de Oliveira Sousa, após análise de dados oficiais sobre o quadro de pessoal da prefeitura.
De acordo com informações do Sistema Sagres, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), Itapororoca possui atualmente 478 servidores comissionados, número superior ao de servidores efetivos, que soma 455.
O Ministério Público também aponta que a Lei Municipal nº 802/2025 ampliou a quantidade de cargos comissionados sem apresentar justificativa técnica ou demonstrar a necessidade de funções de chefia, direção ou assessoramento.
Segundo a recomendação, o Supremo Tribunal Federal (STF) já declarou inconstitucionais cargos comissionados usados para funções meramente técnicas ou administrativas. A Corte também entende que a proporcionalidade desses cargos deve ser analisada em relação ao total de servidores do município, e não de cada órgão isoladamente, critério que, no caso de Itapororoca, estaria comprometido.
Município em concurso em vigor
Outro ponto destacado é que o município de Itapororoca realizou concurso público em 2023, ainda em vigor, com candidatos aprovados aguardando convocação.
Para o MP, a substituição de servidores efetivos ou de concursados por comissionados em funções permanentes viola princípios constitucionais, como o do concurso público, da moralidade e da eficiência na administração.
Por isso, o órgão defende que a redução planejada dos cargos comissionados, com a convocação de aprovados em concurso, é a solução que melhor preserva a continuidade dos serviços públicos e o respeito à lei.
Caso a recomendação não seja cumprida, o Ministério Público alerta que poderá adotar medidas judiciais para garantir o respeito ao concurso público, além de apurar eventual ato de improbidade administrativa, conforme a legislação vigente.
O Conversa Política entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do município e aguarda retorno.

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