Braiscompany: entenda operação que investiga empresa de criptomoedas

Braiscompany captava investidores com a promessa de investimentos com retorno de 8% por mês

Sede da Braiscompany, em Campina Grande. Reprodução/TV Paraíba

A Braiscompany, empresa paraibana que trabalha com criptoativos, foi alvo da operação Halving, da Polícia Federal, nesta quinta-feira (16). A organização captava investidores com a promessa de investimentos com retorno de 8% por mês, e após atrasos, passou a ser suspeita de golpe de milhões de criptomoedas.

As ações da PF acontecem na sede da empresa e em um condomínio fechado, em Campina Grande, e ainda em uma das filiais, nas cidades de João Pessoa e São Paulo.

A Braiscompany não se pronunciou sobre a operação até as 9h20 desta quinta-feira.

Conforme a Polícia Federal, foram movimentados aproximadamente R$ 1,5 bilhão em criptomoedas nos últimos quatro anos, nas contas vinculadas aos sócios da Braiscompany.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, mas os sócios não foram encontrados e são considerados foragidos.

Diante de todas as polêmicas envolvendo a companhia, esta reportagem do Jornal da Paraíba traz as respostas para as seguintes perguntas:

  1. Qual a polêmica que envolve a Braiscompany?
  2. Como surgiu a suspeita de calote?
  3. Qual seria o problema apresentado pela Braiscompany?
  4. O que disse a Braiscompany?
  5. Quem é Antônio Neto Ais, dono Braiscompany?

1 – Qual a polêmica que envolve Braiscompany?

A Braiscompany se envolveu em uma polêmica financeira com suspeita de atraso de pagamentos de locação de ativos digitais para clientes. O caso começou com denúncias feitas nas redes sociais. Desde o dia 6 fevereiro, o caso começou a ser investigado também pelo Ministério Público da Paraíba.

A empresa, idealizada pelos sócios Antonio Neto Ais e Fabrícia Ais, é especialista em gestão de ativos digitais e tecnologia blockchain. Os clientes convertiam dinheiro em ativos virtuais, que eram “alugados” para a companhia e ficavam sob gestão dela pelo período de um ano. Os rendimentos dos clientes representavam o pagamento pela “locação” dessas criptomoedas.

Milhares de moradores de Campina Grande, cidade onde a sede da empresa está instalada, motivados pelo boca a boca entre parentes, amigos e conhecidos, investiram suas economias pessoais sob a promessa de um ganho financeiro ao redor de 8% ao mês.

Braiscompany: entenda operação que investiga empresa de criptomoedas
Foto: Camila Ferreira/Arquivo Braiscompany

2 – Qual seria o problema apresentado pela Braiscompany?

De acordo com clientes, a Braiscompany estaria atrasando os pagamentos do rendimento em cima do valor investido na empresa. Os clientes têm a opção de sacar ou não o valor, mas mesmo sem escolher o saque, os pagamentos não estariam caindo.

Os primeiros atrasos teriam sido provocados por uma questão técnica, de acordo com a Braiscompany. O desenvolvimento de um aplicativo, criado para otimizar os processos internos e de comunicação, teria provocado a necessidade de redução de funções do sistema anterior ainda na fase de testes. Por conta disso, segundo a Braiscompany, os pagamentos estavam lentos.

Ainda de acordo com a empresa, depois do atraso ocasionado pelos testes, a Binance (corretora de criptoativos), passou a travar as operações e limitar a capacidade de pagamento a 10% do necessário, a cada 10 dias. A Braiscompany afirma que conseguiu aumentar o limite, mas a Binance voltou a restringir os mesmos pedidos anteriormente solicitados.

3 – Como surgiu a suspeita de calote?

O calendário de remuneração dos dividendos deixou de ser cumprido no final de 2022. Antônio Neto Ais, o fundador da companhia, disse em uma live que gerenciava R$ 600 milhões de 10 mil pessoas.

Os primeiros atrasos teriam sido provocados por uma questão técnica, de acordo com a Braiscompany. O desenvolvimento de um aplicativo, criado para otimizar os processos internos e de comunicação, teria provocado a necessidade de redução de funções do sistema anterior ainda na fase de testes. Por conta disso, segundo a Braiscompany, os pagamentos estavam lentos.

Também de acordo com a empresa, depois do atraso causado pelos testes, a Binance (corretora de criptoativos), passou a travar as operações e limitar a capacidade de pagamento a 10% do necessário, a cada 10 dias. A Braiscompany afirma que conseguiu aumentar o limite, mas a Binance voltou a restringir os mesmos pedidos anteriormente solicitados.

4 – O que disse a Braiscompany?

A Braiscompany divulgou uma nota, no começo de fevereiro, com esclarecimentos sobre o caso para a imprensa. A empresa afirma que está fazendo uso de “todos os mecanismos legais e de reserva para honrar os compromissos contratualmente agendados”. Diz, também, que paralelo aos esforços legais, “outras providências já foram tomadas que, por medida de segurança e orientações, não podemos revelar“.

No dia 17 de janeiro, a empresa divulgou uma nota de esclarecimento direta aos clientes, afirmando que mantém a transparência e que segue mantendo contato com os clientes apenas por meios oficiais. A empresa, que tem cinco anos de existência, promete apresentar inovações, apesar da crise.

Após divulgação da abertura da investigação do MPPB, a Braiscompany, por meio da assessoria de comunicação, informou no dia 6 de fevereiro que apenas o setor jurídico da empresa vai se posicionar sobre o assunto.

Braiscompany: entenda operação que investiga empresa de criptomoedas
Antônio Neto, conhecido como Antônio Neto Ais, e Fabricia Campos, fundadores da Braiscompany. Foto: Divulgação/Braiscompany

5 – Quem é Antônio Neto Ais, dono da empresa?

Além da taxa de retorno financeiro muito acima do regularmente praticado no mercado, boa parte da atração exercida pela Braiscompany está ligada à imagem de seu fundador, Antônio Inácio da Silva Neto.

Ele adotou suas três primeiras iniciais como sobrenome e se apresenta como Antônio Neto Ais.

No perfil do Instagram, onde soma 900 mil seguidores, tem uma curadoria cuidadosa de postagens. São fotos muito bem produzidas e mensagens que tentam transmitir uma ideia de sucesso individual.

Neto Ais aparece sempre com o cabelo engomado dentro de carros de luxo, aviões privados, em locações internacionais badaladas e ao lado de astros do futebol e celebridades da música.