João Paulo Medeiros

Diante da intervenção no PSD, o descompasso entre as reações de Romero e do núcleo Cunha Lima

Grupo adotou a cautela diante do episódio

Foto: Ascom
Foto: Ascom

O episódio da intervenção no comando do PSD paraibano, noticiado amplamente ontem, sacudiu o ambiente político estadual. A repercussão, nos dois lados, foi frenética. Uns – a exemplo da secretária Eva Gouveia (PSD) – comemoraram como uma vitória de guerra. Outros classificaram como ‘golpe’ e ‘rasteira’ dada pela senadora Daniella Ribeiro (PSD) no ex-prefeito Romero Rodrigues.

A mudança provocou, também, um visível descompasso nas reações do ex-prefeito Romero Rodrigues e no núcleo da família Cunha Lima.

Com exceção do deputado Tovar Correia Lima (PSDB), que foi às redes sociais em solidariedade ao ex-gestor, pouco se viu de declarações públicas do grupo em defesa de Rodrigues.

O prefeito, Bruno Cunha Lima (PSD), foi cauteloso ao comentar o tema. O deputado e pré-candidato ao Governo, Pedro Cunha Lima, não fez nenhuma menção mais contundente sobre o fato. De igual modo agiu o ex-senador Cássio Cunha Lima.

Há, claro, alguns pontos que podem ajudar a entender os comportamentos diversos no mesmo agrupamento.

O primeiro deles é que o movimento feito por Daniella é encarado, por muitos, como uma resposta a uma movimentação ensaiada por Romero meses atrás – quando pessoas próximas a ele se aproximaram do governador João Azevêdo (PSB), contrariando a tese defendida pelo clã Cunha Lima.

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O outro é que, nesse momento, parece mais conveniente para o núcleo aguardar os próximos passos a serem dados pela família ‘Ribeiro’. Hoje, por exemplo, Daniella repetiu por várias vezes que a ascensão ao comando do PSD não significa, necessariamente, um alinhamento do partido à reeleição de João Azevêdo.

Pedro, interessado diretamente no desfecho dessa contenda, preferiu minimizar a troca de comando no partido aliado. Talvez sabendo que, em política, especialmente na Paraíba, quase tudo pode mudar de lugar a qualquer tempo.

Fato é que enquanto Romero foi para o enfrentamento, o grupo Cunha Lima pisou no freio.