Vídeo: em depoimento, cunhadas de Antônio Neto dizem que não tinham comando na Braiscompany

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) acreditam ter conseguido montar o quebra-cabeça do funcionamento da empresa Braiscompany, que teria operado um esquema de pirâmide financeira durante anos e arregimentado mais de 18 mil clientes. Parte do material foi resumida na denúncia apresentada à Justiça Federal e recebida essa semana. 

No documento há menção também aos depoimentos de alguns dos alvos que foram ouvidos pela Polícia Federal no decorrer das investigações.

Entre os 13 denunciados pelo MPF há duas irmãs da empresária Fabrícia Farias Campos, dona da Braiscompany e esposa de Antônio Inácio da Silva Neto.

O Blog teve acesso aos depoimentos das duas (Flávia Farias Campos e Fernanda Farias Campos) à Polícia Federal, após a deflagração da Operação Halving.   

Nos dois interrogatórios há pontos comuns.

Um deles é que as duas negam que tenham tido qualquer tipo de ingerência na administração da empresa. Conforme Flávia e Fernanda, as decisões eram tomadas pelo casal Fabrícia e Antônio Neto.

“Nunca fui diretora. Não tinha poder de mando, de decisão. Tudo era feito com autorização de Fabrícia. Até compras. Não podíamos comprar sequer uma resma de papel sem autorização dela”, afirmou Flávia aos investigadores.

Mais adiante, ela diz que “à medida em que iam entrando pessoas, investidores, que também acreditavam… a gente que estava lá dentro acreditava mais. Quando entravam juízes, desembargadores… isso passava maior credibilidade para todo mundo”.

Já Fernanda reproduziu uma tese semelhante. 

“Nunca tive cargo de gerência. Nada assim, de mais importante. Geralmente era colaboradora mesmo do setor (administrativo e financeiro)”, afirmou à PF.

Ela revelou como era a convivência com o casal e também afirmou ser distante do poder decisório da Braiscompany.

“Eles não comentavam nem questões de decisões, nem o que estava acontecendo. Por isso foi um choque. A gente não imaginava o que estava acontecendo. Todas as decisões eram tomadas por Fabrícia”, declarou Fernanda.

No fim do depoimento, ela fez um desabafo.

“A gente está passando por essas dificuldades por conta deles que fizeram isso. Sei que pessoas também estão passando por grandes dificuldades. Pra gente foi um grande choque e é uma situação muito difícil”, desabafou.

O que diz a denúncia sobre as irmãs

Na denúncia apresentada pelo MPF, porém, o cenário é diferente daquilo que foi declarado no interrogatório pelas duas irmãs. Flávia e Fernanda fariam parte do ‘núcleo administrativo e financeiro’ da empresa e tinham, segundo a Polícia Federal, conhecimento sobre a prática adotada pelo esquema.

A PF cita, por exemplo, que as irmãs participavam de transferências bancárias para outros investigados e/ou sabiam que a empresa recebia dinheiro e outros bens em troca de contratos.

“FLÁVIA CAMPOS e FERNANDA CAMPOS concorreram para a operação irregular da instituição financeira, atuando no núcleo de gestão administrativa e financeira da empresa, responsáveis por registros de contratos, acompanhamento de contratos e operacionalização de pagamentos a clientes e a profissionais vinculados à empresa, atividades imprescindíveis para a atividade da empresa”, discorre a denúncia.

“FLÁVIA CAMPOS beneficiou-se diretamente da atividade ilícita da empresa comandada por sua irmã e seu cunhado. Consta que ela recebeu, em sua carteira na Binance, valores superiores a R$ 463.000,00. Em sua oitiva policial, FLÁVIA CAMPOS afirmou que a sua remuneração era de R$ 20.000,00, montante bastante significativo para a realidade de Campina Grande. Por fim, circulava na cidade em um veículo BMW X1”, diz outro trecho.

Em um áudio obtido pela Polícia Federal, Antônio Neto orienta Flávia Farias a quitar o veículo BMW pouco tempo antes da primeira fase da Operação. O diálogo teria ocorrido, conforme a PF, no dia 10 de fevereiro.

Fernanda, por sua vez, teria cedido o passaporte para a irmã, Fabrícia Farias, fugir do país; e depois afirmado em um boletim de ocorrência na Polícia Civil de São Paulo que teria extraviado o documento.

Flávia foi denunciada com base na lei 7.492/86, que define os crimes contra o sistema financeiro. Já Fernanda foi enquadrada pelo MPF na lei 7.492/86; e também por associação criminosa e falsidade ideológica.

O advogado das irmãs, Alberto Jorge, preferiu não comentar a denúncia. Ele afirmou ao Blog que por uma questão ética não falaria sobre o tema.

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A investigação na Braiscompany

A operação investiga uma movimentação financeira de R$ 2 bilhões feita pela Braiscompany em criptoativos. Dois mandados de prisão foram expedidos tendo como alvos o empresário, Antônio Neto, e a esposa dele, Fabrícia Farias Campos. Os dois continuam foragidos.

Na operação a Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e a suspensão parcial das atividades da empresa.

Oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campina Grande, João Pessoa e São Paulo – na primeira fase.

braiscompany
Foto: divulgação/PF